sexta-feira, 17 de maio de 2013

Senhor Cidadão

uma piada com lição de moral


Senhor Cidadão

 

Sou obrigado a denunciar uma situação terrível. Estou extasiado. Diria, embasbacado. Aconselho as pessoas que têm problemas cardíacos a se ausentarem da sala (ou não lerem a crônica). A situação é escabrosa, mas não posso me omitir em momento tão estapafúrdio. Chegou até minhas mãos um documento da Secretaria de Administração Civil do Estado de São Paulo que coloco em anexo para apreciação de Vossas Senhorias. Leiam com atenção.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 













Tenho motivo ou não para tamanho desassossego? E a população preocupada com PEC 37, 57, 1007 e MP de Portos! Enquanto isso, promulgam leis e decretos que ferem a nossa dignidade. Como assim lenha?! Cadê a denominação “de reflorestamento” para demonstrar a origem da lenha? Porque gasolina azul? Porque é mais cara? Isso me cheira superfaturamento. E quanto aos carentes? Terão suas taxas de incineração abonadas? E a liberdade de ir e vir? Onde está? Como proibir uma pessoa de ingerir bebida alcoólica? E o que dirá a Associação Produtora Unidos de Maringá de Batata Doce, a ASPUM Doce? Bulling contra a pobre batata! Despautério puro! Descabido e Inverossímil.

Para muitos pode soar como uma brincadeira do Coveiro que vos fala, e que o assunto não tem a mínima relevância, mas no fundo precisamos fazer uma análise profunda sobre um tema muito importante para nossa cidadania. O que nossos parlamentares andam legislando e nossos executivos andam decretando. Esse é um exemplo fantasioso, mas tenho certeza que inúmeros monstrengos parecidos com ele rodam pelo país. São Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas e Prefeituras que não tem a mínima noção do que significa legislar. Tenho certeza que se pelo menos uma vez na vida cada cidadão acompanhasse uma seção em uma casa legislativa do seu Estado ou Município, iria sair de lá certo de que o que a maioria dos eleitos menos faz, é representar o povo que os elegeu. Fora os prefeitos que são diplomados sem a mínima noção de administração e entendimento de patrimônio público. O que se vê, na sua grande maioria, são currais de empregos e prelazias que se legitimam pelo voto popular. Os que moram nas grandes cidades e capitais já tem sentido o que a pressão popular pode provocar nos legisladores e administradores. Penso que esse é o primeiro passo para o que almejamos como maturidade política. Cidadãos interessados e responsáveis por seus políticos. Afinal, eles não estão lá por obra do acaso, senão por única consequência do nosso voto. Fiquemos de olho.

No mais, senhor cidadão, melhor você pesquisar na internet essa lei que estabelece o limite de idade para apresentação no Departamento de Controle de População. Vai que né?  

 
 

(agradecimentos ao amigo Jonas Lobo que me enviou essa pérola)


 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 17 de maio de 2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

a tal da logística

vamos rir para não chorar


A tal da logística

 

            Estava eu pensando esses dias sobre um assunto que está na moda. A tal da logística. O fato que ocasionou tal pensamento foi uma manhã numa obra de reforma. Pasmem os senhores e as senhoras que não me conhecem intimamente, que me formei engenheiro. Os trabalhos funerários foram uma opção de vida, portanto hoje, só realizo obras para uso próprio. Voltando ao fato, estava eu madrugando na obra que está em fase de acabamento. Acabamento com o cidadão que vos fala. Notei que passei a manhã toda ligando para fornecedores e, por conseguinte, proferindo palavras de baixo calão para os mesmos. Vidro atrasado, alumínio errado, pintor que não apareceu, ar condicionado que não chegou e por ai vai (espero que alguns fornecedores meus leiam essa crônica). As desculpas são variadas e no fundo são as mesmas. Na essência nada muda. Trata-se da tal da logística. Conclui naquele momento que o trabalho de um engenheiro nos dias atuais é de logística. E assim conclui que o do administrador também, o dos gerentes também, o dos supervisores também, o dos políticos também... ou seja, todos hoje somos operadores de logística. Duvidam? Senão vejamos.

           

Bastou um pequeno incentivo do governo para que a construção civil aquecesse seus motores e partisse em disparada rumo ao tal almejado eldorado. Muitos achando que finalmente o país iria se tornar um canteiro de obras rumo ao desenvolvimento. O que aconteceu? Faltaram materiais e mão de obra, ou seja, insumos básicos para o setor. Faltou a logística de recursos humanos e produção do país. Nós não nos planejamos para esse crescimento. Não temos nem pessoal e nem produção suficiente. Culpa de quem? Da tal da logística.

           

Bastou um pequeno incentivo do governo para que a agricultura fizesse jus à alcunha de “celeiro do mundo”. Produções recordes. Safras homéricas. O que aconteceu? A China cancelou um contrato bilionário de importação de soja brasileira por incapacidade de escoamento do produto para o outro lado do mundo. Falta de logística de infraestrutura. As estradas e os portos não suportam escoar a safra. Ainda utilizamos como principal matriz de transporte o meio rodoviário. Engatinhamos na ferrovia e hidrovia nem pensar. Culpa de quem? Da tal da logística.

           

Bastou um pequeno incentivo do governo para que a indústria automobilística vendesse como nunca. O sonho do carro próprio. Indústrias rindo para as paredes. O que aconteceu? Faltou produto. Fila de espera de seis meses. Falta de logística de produção. Além disso, tivemos um derramamento de veículos nas ruas das grandes cidades. Um caos total. Falta de logística de trânsito. Muitos insatisfeitos. Os que queriam comprar carro, mas não conseguiram o produto e os que tinham comprado mas não conseguiram andar. Culpa de quem? Da tal da logística.

           

Bastou um pequeno incentivo do governo para que muitos fizessem sua primeira viagem de avião. O sonho de tirar os pés do chão preconizado por Santos Dumont. Passagens parceladas a perder de vista. Junta a tralha e vamos para o aeroporto. O que aconteceu? Filas, atrasos, cancelamentos, bate bocas. Faltou logística aeroportuária. E olha que ainda temos uma Copa e uma Olimpíada. Privatiza, estica, encolhe, arruma e improvisa. Os aeroportos do país não estavam preparados para essa demanda. Culpa de quem? Da tal da logística.

           

Como parece que tudo é culpa da logística, penso em sugerir a Lulu Santos e Waly Salomão que mudem a letra da música “assaltaram a gramatica”. Segue texto sugerido:

 

“Assaltaram a gramática

Assassinaram a lógica

Meteram poesia, na bagunça do dia-a-dia

Sequestraram a fonética

Violentaram a métrica

Colocaram a culpa na logística

Meteram poesia onde devia e não devia”

      
 

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 22 de março de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

se eu quiser falar com Deus

apenas uma reflexão em tempos de novo Papa.



Se eu quiser falar com Deus

 

            Ontem o mundo inteiro esteve de olho em uma chaminé. Na cor de uma fumaça. Nas portas de um balcão na Praça de São Pedro. Na carinha de um dos muitos cardeais que vestia branco naquele momento. E o mundo inteiro viu o novo Papa. Latino americano. Argentino para ser mais preciso. As redes sociais e os canais de notícias de todo planeta vasculharam sua vida. Dados, entrevistas, amigos e inimigos. O Papa estava desnudo diante da população mundial. Perguntas e mais perguntas foram lançadas ao ar sem direito a resposta. Será que haverá renovação na Igreja Católica? O papa é mais Cúria ou mais povo? Teremos avanços em assuntos como aborto, preservativos, união homossexual, celibato, ordenação de mulheres? Teremos retrocesso? Não só os católicos se perguntam. O planeta inteiro pergunta. Ai entro no cerne da questão que gostaria de refletir. Não vou me ater a nacionalidade do Pontífice e nem ao nome que doravante será chamado e muito menos as piadinhas diversas sobre a rivalidade com os hermanos argentinos. O ponto é o seguinte: porque a escolha de um Papa ainda movimenta de sobre maneira o mundo civilizado? Em que esse chefe de Estado influencia a vida dos seres humanos? O que vimos e continuamos vendo nesse ultimo século é uma instituição que se movimenta a passos lentos quase parando. Uma instituição que não acompanha as mudanças e adaptações que o mundo esta sofrendo. Uma instituição que se afastou de suas bases pastorais e deixou caminho farto para a evolução crescente das religiões protestantes. Uma instituição que cheira a mofo da idade média. Então porque essa mobilização toda? Católicos e não católicos discutindo sobre um assunto que parece saído do começo dos tempos. E aqui coloco no mesmo balaio outras religiões que tem pregações belíssimas, mas no fundo tem o fim de arrecadar dinheiro para perpetuação do poder individual. Igrejas e pregadores que se arregimentaram do nome de Jesus para cobrar por isso. Como se fossem intermediários diretos de Deus. Que deus é esse que precisa de intermediários assim? No fundo não passam de instituições com o fulcro de dominação nas diversas esferas políticas e sociais. Mas tudo em nome do Senhor. Faço esses parênteses, para opinar que essa prelazia de caminho errado não esta sendo seguido só pela Igreja Católica. Esta sendo seguido por inúmeras igrejas espalhadas pelo planeta. Aí chegamos a mais um ponto nevrálgico. Será que o caminho certo é esse? Serão esses os planos que o Criador arquitetou para o homem? Será que Ele nos deu inteligência (privilégio único entre os seres viventes) para ficarmos agarrados na barra de sua saia como crianças choronas? Será que precisamos disso para falar com Deus?    

 

Se eu quiser falar com Deus


Tenho que ficar a sós


Tenho que apagar a luz


Tenho que calar a voz


Tenho que encontrar a paz”

 

(Gilberto Gil)

 

 

 

 Guilherme Augusto Santana

Goiânia, quarta feira 14 de março de 2013

quinta-feira, 7 de março de 2013

Champagne e água benta

Um obituário para dois.



Champagne e água benta

 

Propus-me um desafio. Desafio digno de coveiro que é minha alcunha. Escrever um obituário para um dos personagens mais controversos dos últimos cem anos da história mundial. Mas não um obituário comum. A proposta é tentar incluir uma música do cantor e letrista do Charlie Brown Jr., também recém-falecido, Chorão. Mas não uma música qualquer. Uma canção que pudesse servir para os dois personagens. Chávez e Chorão. Segue o arranjo.

 

Obituário

 

“Minha vida é tipo um filme de Spike Lee.

Verdadeiro, complicado, mal-humorado e violento.

Você é bonito, e eu sou feio.

Sua mãe te ama, mas eu te odeio.

Quem tem boca fala o que quer, só não pode ser mané.

Coração de vagabundo bate na sola do pé.

Zica tem monte, zóião, da até em penca.

Eu tomo banho de banheira com champagne e água benta”

 

Nascido Hugo Chávez Frías, segundo de seis filhos do casal Hugo de los Reyes Chávez e Elena Frías, na cidade de Sabaneta, Estado de Barinas, Venezuela, América do Sul em 28 de julho de 1954. Regido pelo signo de leão, foi criado em ambiente modesto e começou carreira pelo exército chegando ao posto de tenente coronel. Indignado que era por natureza tentou golpe de Estado contra o governo. Foi preso e anistiado. Abandonou a carreira militar e abraçou a política. Fundou partidos. Fundiu partidos. Foi eleito Presidente da Venezuela no ano de 1999 e lá permaneceu até que um câncer lhe ceifasse a vida. Era um colecionador nato. Colecionou várias coisas: Eleições e Reeleições, afetos, desafetos, polêmicas, popularidade. Era amigo de Fidel e Raul Castro, Lula e Dirceu (que não vai ao seu sepultamento porque não tem passaporte). Era inimigo de Bush pai e filho, Obama, Rei Juan Carlos e meio mundo de gente. Falava mais que o homem da cobra. Falava a linguagem que o povo entendia. Recebeu o cala boca mais veemente da história da humanidade. Por uns é considerado o sucessor de Simon Bolívar. Por outros um populista ditador. Uma coisa é certa. Ileso ele não passou por esse mundo. Hugo Chávez faleceu no dia 05 de março de 2013. Uns dizem que foi em Caracas, capital da Venezuela e outros em Havana, capital de Cuba. Controverso como sua trajetória. Choram de pesar por ele quatro filhos, uma boa parte do povo venezuelano e uma pequena porção do povo do planeta. Choram de satisfação por ele o restante não citado.

 

“Não tão complicado demais, mas nem tão simples assim”

 

Hugo Chávez Frías

28/07/1954 – 05/03/2013

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, quinta feira 07 de março de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Habemus Mater?

segue análise de um qualquer.


Habemus Mater?

 

            O assunto do mês que não posso me furtar em comentar é a renúncia do Papa Bento XVI. Tentarei fugir do meio comum e entrar por um ponto de vista diferente. Não sou Ilze Scamparini que acompanha o Pontífice de perto, nem teólogo que emenda mil teorias sobre seu afastamento e muito menos fiel cego que acredita piamente na Santa Madre Igreja. Portanto terão a análise de um qualquer. Alguém que tenta ver sobre outro ponto de vista. Teorias muitas têm surgido para calçar a saída do chefe máximo da Igreja Católica. Questões ligadas a sua saúde, ligadas ao seu conservadorismo, ligadas à omissão e acobertamento de casos de pedofilia dentro da igreja, ligadas a golpes e tentativas de tomada do poder, ligadas ao Banco do Vaticano e sua ingerência e possível lavagem de dinheiro. Ou seja, questões que povoam o imaginário popular. Ninguém precisa ser especialista para lançar sua opinião. Nos bares, praças e igrejas, todo mundo tem uma teoria sobre a renúncia. Isto posto, a distância que estamos de sabermos o que realmente acontece intramuros no Vaticano. Aliás, diga-se de passagem, a maioria dos brasileiros (e aí penso que a maioria dos católicos do mundo se encaixa) tem uma visão do Papa muito distante. Forante a voz da Ilze e as missas rezadas na Praça de São Pedro, não sabemos nada do Pontífice. Nada mesmo. E como advenho da crença cristã católica, passando por quase todos os sacramentos (batizado, primeira comunhão, crisma, matrimônio), tive a oportunidade de perceber a distância que a Igreja Católica teve de seus fiéis nos últimos séculos. Haja vista a evolução corrente das religiões de origem protestantes arrebanhando fieis por se imiscuir mais profundamente nos anseios dos mesmos. Pude presenciar crises de identidade e críticas vorazes ao conservadorismo e falta de adaptabilidade aos ditos “tempos modernos” e perceber a morosidade e peso de uma instituição que caminha a passos lentos e calculados. E ai culminamos numa situação em que a Igreja não passava há mais de seis séculos. A renúncia de um Papa. E aí percebemos uma comoção geral pela figura de Ratzinger. Todos abraçaram o Papa como se estivesse à beira da morte. Discursos inflamados sobre sua atuação e o legado que vai deixar. Citações sobre a coragem e a bravura diante da renúncia. O Papa é nosso! A instituição Igreja é nossa! Escondamos as sujeiras debaixo do tapete (que não são poucas) e proclamemos nossa fé inabalável na Santa Sé! Isso me faz lembrar uma tese que minha avó defendia com unhas e dentes. “Sei todos os defeitos do meu filho, mas ele não deixa de ser meu. E o defenderei com unhas e dentes, mesmo sabendo de seus erros e suas falhas.” Essa é a representação máxima do instinto materno. Aquele que defende a cria independente da situação. E a Igreja, assim como outras religiões, é cria do homem. Foi forjada e pensada por mentes humanas. Com o objetivo sim de alcançar Deus, mas concebida humanamente. E aí me vem o questionamento. Será que não estava na hora de pararmos de agir como mães instintivas e passáramos a agir como mães racionais e sensíveis? Não estou dizendo para abandonarmos a cria, mas para fazermos uma análise profunda sobre seu comportamento e sua atuação. A Igreja Católica, tal como está hoje (e aí coloco todas as religiões e crenças de maneira geral), passaria por esse crivo de racionalidade e sensibilidade materna? Habemus Mater?       

 

 

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 22 de fevereiro de 2013

sábado, 16 de fevereiro de 2013

a gente não quer só comida

Uma crônica de sábado com cara de nostalgia. Com Titãs e tudo.


A gente não quer só comida

 

            Hoje fiz um programa inusitado com a família. Daqueles que você fica um tempão prometendo e nunca cumpre. Pois bem. Feito está. Peguei esposa, filhos e sogra e fomos ao Mutirama (para os que não são de Goiânia, trata-se de um parque de diversões municipal). Tinha bem uns 30 anos que não entrava no parque. Talvez 30 seja exagero. Digamos que 29 seja mais razoável. Pois bem. Desde sua remodelagem, fico escutando de longe os comentários de ambas as partes. Os da oposição e os da situação. Logicamente que cada um puxando brasa para sua sardinha. Escutei maravilhas e críticas ferozes. Desde a montanha russa de segunda mão comprada a peso de ouro até comparações com parques americanos. Logicamente que minha tendência a peneirar comentários com ênfase política é bem ativo, então resolvi tirar a prova pessoalmente.  

            Começamos com o estacionamento que é pequeno e de difícil acesso (principalmente para quem estava acostumado com a antiga entrada). Mas vejam só. Tem estacionamento! Coisa rara nos dias de hoje nas grandes cidades. E é grátis e sem flanelinhas! Cheguei e parei meu carro. Tranquilo. Ao comprar o ingresso quase caí de costas. R$ 10,00. Meia entrada R$ 5,00. A primeira impressão que se tem é que deve ser um parque dos mais fubás. Mas logo minha mente recobra o objetivo para o qual foi criado o mesmo. Um parque municipal com entretenimento subsidiado. Pois bem. Dando uma geral percebe-se uma boa quantidade de funcionários públicos cuidando dos brinquedos. Sem uniforme e muitas vezes sem disposição de trabalho. Mas vejam só. Existem funcionários públicos! Coisa rara em um parque público. Pois bem. Começamos com os brinquedos mais leves e fomos aumentando o grau de dificuldade. Meus filhos, que ainda não conhecem a Disney, estavam encantados. Montanha Russa, Roda Gigante, Twister, Casa Fantasma, Autorama...não sabiam aonde ir primeiro. Lembrei-me da minha infância. Lembrei-me o que o Mutirama representava. Lembrei-me dos domingos. Dos lixos em formato de palhaço (não existem mais). Dos bebedouros em formatos de bichos (não existem mais). Fui puxando um fio da memória e relembrando momentos agradáveis passados debaixo daquelas árvores (ainda existem). Resolvi brincar junto com os meninos. Dei-me esse direito depois de 29 anos. Talvez 28.

            Mas nem tudo são maravilhas. Os brinquedos estão bem melhores, mas a manutenção continua falha. As normas de segurança ainda precisam melhorar. As barracas de alimentos estão bem controladas, mas ainda precisam de um ajuste da vigilância sanitária. A limpeza está boa, mas ainda pode ser melhor. Mas isso só percebe quem é adulto. As crianças parecem enxergar de outro jeito. Parecem enxergar de um jeito particular. Com cores diferentes. Será que vamos perdendo essas cores quando crescemos?

            Muitos podem dizer que quando meus filhos forem para Epcot, Universal, Bush Gardens entre outros, acharão o Mutirama fraco e monótono. Pode ate ser. Essa criançada de hoje eleva seu nível de exigência muito rápido. Coisa da modernidade. Mas vou dizer uma coisa. Eu conheço a maioria desses parques americanos e não deixei de me emocionar e nem de me divertir hoje. E vamos ser bem francos. Ele não foi feito com a intenção de agradar famílias como a minha. Ele foi feito e revitalizado para aqueles que não têm a oportunidade de conhecer outros. Então imaginem a alegria dessas crianças ao brincarem nesse, que para elas, é a Disney. E para aqueles que acham um absurdo serem gastos tantos recursos em um parque de diversões público, eu cito Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito: “ a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

 

 Guilherme Augusto Santana

Goiânia, quarta feira 16 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

quem remove montanhas?

Aperitivo para a festa santa e profana que se aproxima.

Todo ser carrega o bem e o mal dentro de si.




Quem remove montanhas?

 

            Na crônica de hoje narro duas histórias de vida distintas com um ponto em comum. Vou me abster temporariamente dos nomes para não incorrerem em análise precipitada dos fatos. Sem mais delongas vamos a elas.

 

            Senhor X (que não é Eike Batista) nasceu na esfuziante capital brasileira na década de 40. Não me enganei de capital, pois é do Rio de Janeiro que estou falando. Filho de família de classe média e com nome tradicional na sociedade, o cidadão teve oportunidades inerentes a sua classe social. A ele foram disponibilizados todos os meios educacionais, como ingresso nos melhores colégios da cidade, quiçá do Brasil. Educação de primeira, tanto em casa como fora dela. Senhor X foi expulso ou convidado a se retirar, o que dá no mesmo, de três colégios dos quais havia ingressado. Notas pífias. Foi considerado burro para os padrões vigentes à época. Os pais tentaram de tudo para colocar o filho no caminho da retidão. Em vão. Foi internado a primeira vez em uma casa de recuperação (eufemismo de manicômio) com suspeitas de necedade e desvio sexual (achavam que o menino era homossexual). Das outras duas vezes que foi internado na mesma instituição de saúde foi por surto psicótico mesmo. Havia quebrado todo o quarto e provocado uma confusão sem par. Foi submetido a inúmeras seções de eletrochoque.  Fugiu da casa de recuperação duas vezes. Fugiu de casa um sem número de vezes. Viveu perambulando pela zona do baixo meretrício muitos anos, fazendo uso dos serviços de homens e mulheres que ali buscavam fazer a vida. Fez um pacto com diabo. Usou drogas de todos os tipos. Abusou.

 

            Senhor Y coincidentemente nasceu na mesma época de Senhor X e no mesmo local. As condições familiares e sociais foram as mesmas. Resumidamente, um princípio igual. Porém Senhor Y queria ser escritor. Aliás, ele queria ser o maior escritor do mundo. Com essa ideia em mente ele se embrenhou pelos caminhos tortuosos da arte. Foi ator, diretor, roteirista, produtor teatral. Foi criticado mais vezes que ovacionado. Escreveu fiascos e também Best Sellers. Publicou cerca de 17 livros dos quais atingiu a marca de mais de 100 milhões de exemplares vendidos em 150 países. Seus livros foram traduzidos em 66 línguas diferentes. Foi considerado o escritor de língua portuguesa mais lido de todos os tempos. Ocupa a cadeira número 21 da Academia Brasileira de Letras. Foi nomeado pela ONU “Mensageiro da Paz”. Abusou.

 

            O que esses dois indivíduos tem em comum? Simples. São a mesma pessoa. O escritor Paulo Coelho. Interessante não? As conclusões que podemos tirar dessa análise são muitas. Amplas. Profundas. Mas vou me ater a uma somente. Um desejo que Paulo expressou por toda a vida. Retratada em sua biografia escrita por Fernando Morais. Ele sempre quis ser um grande escritor. Sempre acalentou esse desejo. O de ser o maior. Eis ai o resultado. Sem entrar nos méritos da sua qualidade literária, não podemos negar o lugar aonde ele chegou. O topo. E aí eu me pergunto: A fé remove montanhas ou a vontade remove montanhas?

      

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 08 de fevereiro de 2013