sexta-feira, 19 de setembro de 2014

a César o que é de César




 
A César o que é de César
 
            Saiba o caro leitor que enxerga essa junção de letras, palavras, frases e, por fim textos, que não sou escritor de profissão. Se é que existe essa profissão formal. Nem ao menos sou da área de letras. Jornalismo nem pensar! Sou oriundo da mais perfeita profissão exata, a Engenharia Civil. Pretensão orgulhosa. Não obstante, me enveredei pelo mundo funerário. Pasmem! A alcunha de “Coveiro” recebi e adotei com orgulho pretensioso. Mas as letras, além dos números, sempre fizeram parte da minha vida. O papel sempre sofreu com minha tentativa de plasmá-lo com ideias ortodoxas ou não. Portanto, quando perceberem pequenos (ou grandes) erros na grafia e no sentido formal da regra gramatical, além da “liberdade” poética, necessito do perdão, visto as justificativas ora apresentadas. Numa dessas incursões, um amigo ilustrador, dos mais talentosos, solicitou-me texto para a revista que estava lançando no mercado. Prontamente lhe enviei o texto. “Envia uma foto também, que é para sair nos colaboradores da revista”. Procurei uma foto legal. Infinitas pastas de fotos no computador. Foto com taça de vinho na mão não serve. Foto de óculos escuros não serve. Foto com a esposa do lado não serve. Foto com as crianças não serve. Foto com barba por fazer não serve. Foto em cemitério não serve. Pois bem, não achei. Lancei mão de uma mais ou menos e recortei com o editor de imagens. Coisa bem artesanal, mesmo. Ficou meia boca. Mandei ao amigo tendo a sensação que não serviria. Pois mal. Não serviu. Aí que, num átimo de segundo, lembrei-me de umas fotos que tinha feito para o lançamento de mais um empreendimento funerário, tiradas por um fotógrafo de esmerada competência e um amigo querido. Pedi a ele para mandar as fotos. Mandou prontamente. Mandei a foto para o amigo da revista. “Essa ficou boa”. Publicou na revista junto do artigo. Orgulho. Quando é fé (expressão do Goiás) o amigo fotógrafo vê a foto na revista. Boa foto. “Cadê os créditos?”. Créditos? Perguntei. “Os créditos da foto”. Mas eu não paguei pelas fotos? Não são minhas? Aí o amigo foi me explicar a questão dos direitos autorais. Nunca tinha me prendido àquelas letras miúdas nos cantos das fotos. Justo, muito justo. Funciona assim com projetos técnicos, obras de arte, textos e também com fotografias. Mas o erro já estava sacramentado. A revista já tinha sido impressa e os créditos não estavam nela. Como justificativa, volto no escrito anteriormente sobre minha necedade em letras. Como reparação (se é que existe) gostaria de pedir desculpas em público. Utilizando o mesmo veículo para tentar consertar o erro e creditar o fato ao autor. Prometo não incorrer mais em tamanha desconsideração. Talvez até proponha tentar sanar a dívida convidando para uma garrafa de vinho. Um Bordeaux por sua vez pode conseguir o feito do perdão. Mas no fundo o que eu gostaria de dizer é que coloquei aquela foto porque o amigo fotógrafo conseguiu um prodígio. Em uma imagem só conseguiu retratar o engenheiro, o coveiro, o escritor e o empreendedor. Por fim, uma pessoa feliz. Feliz não só pelas conquistas empresariais e profissionais, mas ter e poder contar com os amigos nas horas mais importantes.
 
Ao amigo fotógrafo Rimene Amaral. Uma eterna dívida.    
  
* texto escrito para a Revista Local
  
             
 
Guilherme Augusto Santana
Goiânia, sexta feira 19 de setembro de 2014
 
 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

11-09


11-09

 

           

Era uma manhã de mais um dia de setembro. Estava eu preparando minhas coisas para voltar a Goiânia. Passava o miolo da semana em Brasília cuidando dos interesses da empresa junto aos órgãos públicos. Televisão ligada enquanto tentava colocar as roupas muitas na mala pouca. De repente comecei a ver imagens de prédios em chamas no centro de NYC. Nada de novo visto que nove entre dez imagens do cinema americano mostram destruição na Big Apple. Mas desta feita era real. CNN. Uma confusão de aviões, fogo, desabamentos, bombeiros e principalmente de desespero. Parei estarrecido diante da TV e a ficha não caia diante de imagens que pareciam irreais. Nova Iorque, Pentágono e Pensilvânia. Qual seria o próximo? Chegamos a cogitar a possibilidade de não voltar a Goiânia. Não sabíamos até o momento as extensões dos ataques. Hipóteses vão, hipóteses vêm, resolvemos pegar a estrada. No caminho o rádio ligado todo o tempo nas notícias da tragédia. No trajeto de aproximadamente duas horas, ficamos sabendo das primeiras estimativas de mortos, da autoria do atentado e das possíveis represálias do Presidente Americano. Tal qual o assassinato do Arquiduque Francisco Fernando da Áustria e a invasão da Polônia por Hitler deram origem as primeira e segunda guerras mundiais consequentemente, naquele momento temi estar presenciando o início da terceira. Enganei-me no temor. Isso aconteceu há 13 anos.

 

            Era uma tarde de mais um dia de setembro. Estava eu, mais uma vez, retornando a Goiânia depois de um dia na capital federal. Os mesmos ofícios e as mesmas preocupações. Escutava as notícias pelo rádio como de costume. Entre novidades requentadas sobre a política brasileira o Presidente Americano Barak Obama fazia um discurso inflamado sobre o combate ao terrorismo. Nada de novo. A bola da vez era o Estado Islâmico. Que de Estado e de Islâmico não têm nada assim como a Al Qaeda de outrora. A motivação era a decapitação de dois jornalistas. Tudo postado na internet no maior sangue frio. Lembrei-me que estávamos no dia 11 do mês de setembro. Tal qual aquele outro dia. E as ameaças pareciam às mesmas feitas pelo então Presidente Bush. Similaridade de posições entre Democratas e Republicanos. Também sem novidades. No mesmo momento vieram à mente imagens das invasões ao Iraque e Afeganistão, da caça a Saddam Hussein e posteriormente sua execução e da caça a Osama Bin Laden e também posterior execução. Diferentemente do outro 11-09, não senti pelo início de uma guerra mundial. Talvez já esteja anestesiado. Isso aconteceu ontem. E penso que continuará acontecendo nos próximos treze anos. E nos próximos treze subsequentes. No fundo os papéis só mudaram de interlocutores. Bushs, Obamas, Osamas, Sadans e Abrantes. Tudo como dantes.       

  

             

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 12 de setembro de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Provérbios, ondas e tsunamis


Provérbios, ondas e tsunamis

 

 

            Diz um provérbio antigo que: “água morro abaixo, fogo morro acima e mulher quando quer dar... ninguém segura”. Aí muitos dos leitores podem estar se perguntando o porquê da citação de tal frase um tanto quanto chula pelo que vos escreve. Explico. Ele, o provérbio, reflete literalmente o cenário político brasileiro da atualidade. Às vésperas de uma eleição para Presidente, um fator emocional modificou todo o panorama das intenções de voto para o cargo majoritário da República. Quem estava sentado ficou em pé, quem estava em pé começou a correr e alguns viram seus pontos de IBOPE se desfazerem como gelatina em água. Esse fenômeno não é novo na História política do país. Recordo-me da onda verde amarela para eleger um político de um Estado pobre do nordeste nos idos de 1989. A campanha de Fernando Collor foi um exemplo flagrante de uma onda política que se avolumou e depois se tornou impossível deter. Poderíamos até considerar a eleição do mais jovem Presidente da República como desvio padrão, visto que foi o primeiro pleito direto para Presidente depois de 21 anos de ditadura militar. Mas existiram outros casos de ondas políticas detectadas nas eleições. Em 1997 o jovem Deputado Federal, até então desconhecido da maioria da população de Goiás, Marconi Perillo viu-se alçado a candidatura de Governador em embate com o maior fenômeno político do Estado até então, Iris Rezende Machado. Parecia história certa, porém uma onda azul de mudança tomou conta do eleitorado, e o que parecia impossível tornou-se realidade. O menino da camisa azul que começara o pleito com 5% das intenções de voto consagrou-se vencedor. Muitas análises foram feitas sobre o fenômeno político, mas no entendimento precário deste cronista, a vontade de mudança prevaleceu em todos os aspectos. E aí vemos uma fragilidade da onda política. O desejo de mudança não olha a quem. Em momento algum se olhou a capacidade dos postulantes ao cargo, e sim um desejo de algo diferente do status quo. Não faço aqui uma análise opinativa sobre capacidades administrativo-políticas dos candidatos à época, e sim tento vislumbrar a cegueira com que a onda política passa por cima dos incrédulos. Pois bem. Hoje vislumbramos esse cenário. Diria até que não temos uma onda e sim um tsunami que se avizinha sobre as eleições. Uma insatisfação generalizada que eclodiu em movimentos de rua no ano passado aliados a números pífios da economia estão alimentando esse tsunami. Mais uma vez volto a afirmar. Não é tanto o problema com a Presidenta e com o partido que ela lidera, mas um desejo de ver algo novo. Assim como os tucanos viram a onda vermelha se abater sobre suas cabeças na eleição do Presidente Lula, os petistas veem a onda verde de Marina Silva chegar a seus joelhos. E como o ditado mesmo diz, esses fenômenos ninguém segura. Resta saber se o tsunami se mantém até as eleições e se a devastação provocada por ele irá afetar o que já conquistamos em termos de estabilidade e democracia. Como todo fenômeno da natureza, a onda política trás a mudança, mas também a destruição do já estabelecido. Resta avaliarmos se é isso mesmo que queremos.   

   
 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 05 de setembro de 2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

se estressar não dirija


Se estressar não dirija

 

Existe um desenho antigo da Disney que parece ser atual. Os que têm acima de 35 anos com certeza vão se lembrar. Um pacato cidadão chamado Pateta sai para trabalhar dirigindo seu automóvel e no decorrer do percurso se torna um louco facínora portando uma arma que é seu veículo. O que o desenho quis retratar foi a mudança que o stress cotidiano pode provocar no ser humano, quanto mais se tratando de trânsito. Eu particularmente, muitas vezes, me sinto o próprio personagem retratado pelo Pateta ao enfrentar as ruas da minha cidade. Pensando nisso e até como uma maneira de utilizar o leitor como divã de psicanalista, confesso abaixo as 8 situações de trânsito que mais me irritam. Segue:

 

1)      Tia com SUV – Impreterivelmente elas ganham aqueles monstros de carro do marido e saem às ruas para desafiar a física. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço! E quando elas querem estacionar naquela vaga justa em uma via que só cabe um carro? Haja paciência. Dá vontade de descer do carro e propor ajuda-la a estacionar. Ou mandar ela comprar um Uno.

2)      Motorista Pac Man – Eles acham que a faixa intermitente que divide as duas pistas da rua são comidinhas do Pac Man. Só pode. Pergunta se notam o sinal de luz de quem vem atrás? Claro que não! Estão concentrados em coletar os segmentos brancos como se acumulassem energia. Dá vontade de buzinar até acabar a bateria do carro.

3)      Enxame de motos – Sabe quando você esta parado no sinaleiro imaginando acelerar quando pintar a luz verde? E ai vem um enxame de motos e estaciona na sua frente? E com certeza quando o sinal abre uma das motos apaga e o com mais certeza ainda é daquelas com ignição por pedal? Não dá vontade de acelerar o carro e passar por cima das motos como se fosse jogo de boliche?

4)      Motorista de fim de semana – Eles geralmente tem aquele chevette 81 ou Volks 79. Guardam a joia rara na única garagem da casa debaixo de lona para proteger das intempéries. Só saem da garagem aos fins de semana. Permanecem à sua frente em velocidade não detectada pelo velocímetro. Andam de vidro aberto e com os braços de fora. Estão a passeio. Vontade que dá de encostar os para choques e sair empurrando.

5)      Colado ao volante – Esse espécime de motorista ou tem problemas de visão ou de braço curto, porque ficar colado ao volante daquele jeito chega ser engraçado. O pior é que nessa posição, a visão periférica fica prejudicada e o condutor parece que dirige numa bolha isolada do restante dos motoristas. Sua velocidade média é quase parando. Dá vontade de passar e gritar: “aprendeu a dirigir na roça!”.

6)      Seta mágica – Alguns carros saem de fábrica com seta mágica. Assim que são ligadas dão direito ao motorista de entrar sem ser questionado. Deve ser isso que pensam alguns condutores. Esquecem que dentro do trânsito existe um código de educação e conduta. Setas são indicativas e não impositivas. Vontade que dá de enfiar o carro na frente e bater de propósito.

7)      Condutor legislador – Existem alguns motoristas que adoram inventar leis de transito. Ou dar interpretações próprias a algumas leis. Quem não escutou que estando na faixa da esquerda e abaixo da velocidade limite não há necessidade de dar passagem a quem vem em maior velocidade? Ou parar rapidinho só para deixar minha vó em local com placa de proibido estacionar e parar é permitido? Ou que para deixar filho em escola tem-se salvo conduto para praticar atrocidades no trânsito? Vontade de retornar com o cidadão para o banco da auto escola.

8)      Prelazia de carro forte – Muita gente xinga os carros fortes por pararem em qualquer lugar sem saber que existe uma exceção no código brasileiro de trânsito para essa categoria de veículos. Mas o que muitos não sabem é que caminhão de bebidas e caminhão cegonha NÃO SÃO CARROS FORTES! Resumidamente, não tem a mesma prelazia de parar e descarregar em qualquer lugar. Dá vontade de jogar uma granada no meliante.

 

Ufa! Terminada a seção de psicanálise, respiremos no saco algumas vezes e vamos embora enfrentar o trânsito novamente. Com a conclusão que no fim das contas culminamos na velha e boa palavra que define as relações humanas: Educação. Fora isso, uma boa dose de paciência e gentileza não faz mal a ninguém. Ou isso, ou Pateta. Literalmente cara de pateta.

 

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, 29/08/14

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

o balde de gelo da discórdia


O balde de gelo da discórdia

 

           

Sabe esses assuntos que tomam conta da semana e é impossível não tecer comentários a respeito? Pois é. Como não falar do caso “balde de gelo”? Impossível. Confesso que comecei a assistir os primeiros vídeos sem entender muito bem do que se tratava. Para aqueles que não sabem do que estou falando (acho meio difícil isso acontecer), faço um esclarecimento breve: começaram a circular na internet cenas de celebridades (ou não) se auto flagelando com um balde de água com gelo e desafiando mais três pessoas a realizar o mesmo ato. A princípio pensei ser mais uma brincadeira de internet viral. Depois do décimo vídeo procurei esclarecimentos sobre o ato insano-infantil e então descobri a motivação. Tratava-se de uma campanha para arrecadar fundos para pesquisa e tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica, vulgo ALS organizada por uma ONG que cuida desse assunto. Pois bem. Achei a ideia interessante e divertida. A causa me parecia nobre e tudo transcorria numa boa. Celebridades e pseudo celebridades molhadas doando dinheiro por um bom motivo. Mas como nada na internet e no mundo globalizado é simples, começaram a aparecer as críticas. “Essas celebridades estão querendo aparecer”, “isso é só autopromoção”, “A ALS atinge uma parcela mínima da população mundial”, “essas pessoas deveriam focar em doenças mais significativas como a AIDS e o ebola”, “isso é ativismo de internet”. Diante desse tiroteio todo descobri até uma expressão que não conhecia. “Slacktivism”. Que é a junção de “slack” com “activism”, o que na pratica significaria algo como “ativismo preguiçoso” ou similar. Depois que você escuta esses comentários de diversas fontes, começa a questionar a legitimidade, eficácia e seriedade dos atos. Passa até a sentir uma vergonha alheia pelas pessoas que se submeteram a brincadeira travestida de boa causa. E agora? Qual das opiniões se encaixa mais no que pensamos? Quer saber a minha? Continuo achando legal a campanha. Nesses assuntos sou adepto de Maquiavel. Os fins justificando os meios. Se as celebridades querem aparecer ou posar de socialmente responsáveis ou caridosos, não é problema meu. Se eles entendem que sua responsabilidade perante a sociedade se restringe a uma doação de vez em quando para uma campanha, eu não tenho nada a ver com isso. Nesse caso o fim, qual seja, os fundos arrecadados para uma causa nobre, foram satisfeitos. Outra. Se a causa não é das top 10 mais urgentes do planeta, não quer dizer que não mereça olhos. Entendo que existem problemas muito mais graves e imediatos, porém não quer dizer que tenhamos que abandonar outras causas que também merecem atenção. Talvez seja hora das ONG´s prestarem atenção em campanhas mais criativas para angariar fundos ao invés de criticar quem implementa uma boa ideia. Outra ainda. Entendo que a consciência social se forma aos poucos. Utopia é achar que o cidadão vai nascer totalmente politizado e consciente de suas responsabilidades sociais, e muito mais utopia achar que a sociedade vai se transformar num passe de mágica. A evolução se processa aos poucos. Lenta e gradual. E por último. Tão chato quanto a semi celebridade em busca de dez segundos de fama baseado numa causa nobre, é o pseudo socialista que critica tudo e todos baseado numa irreal visão de sociedade. Pronto falei.      

 

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, 22/08/14

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

palmada, vara de goiabeira, puxão de orelha e afins


Palmada, vara de goiabeira, puxão de orelha e afins

 

           

Ultimamente assistindo aos noticiários tenho sentido uma vontade irrefreável de utilizar de um artifício antigo, utilizado na época de nossos pais e avós, para punir determinados atos de insubordinação de moleques levados. É um desejo quase primitivo de punir atos que a princípio parecem impensados, inconsequentes, irresponsáveis ou até mesmo absurdos. Coisas como atirar pedras nas vidraças dos vizinhos e sair correndo, ou atear fogo à batina do padre no meio da procissão, ou tirar as calças do menino mais novo e força-lo a andar pela rua pelado, ou ainda urinar nas garrafas de leite deixadas nas soleiras das portas pelo leiteiro. Parece que estou falando de coisas do século passado né? Pois é. Mas os noticiários também têm mostrado coisas que nos fazem refletir se realmente nos encontramos no século XXI. Senão vejamos.

Tirando o fato trágico do menino que teve o braço arrancado pelo tigre no zoológico de Cascavel, e de toda comoção nacional que um acontecimento desses causa por se tratar de uma criança, quem em sã consciência não sentiu vontade de pegar aquele menino pelo braço e traze-lo a força para detrás das grades? E de lhe aplicar uma bronca bem dada? E de coloca-lo de castigo sem doces por uma semana pela desobediência? Não me interpretem mal. Lembre-se que estou aqui fazendo um exercício de vontade irrefreável. Não quer dizer que o fato irá se materializar. E quem não sentiu vontade de dar um tapa naquele cidadão que filmava a cena e não interviu para tentar tirar aquele pestinha de dentro do limite proibido? E quem ainda não sentiu vontade de dar uma surra de vara de goiabeira naquele pai que permitiu que o filho brincasse com um felino daquela periculosidade? E depois de tudo isso ainda vazaram fotos na internet da criança no hospital! Olha se essa pessoa que divulgou isso não merecia um bom puxão de orelha? O excesso de exposição e a falta de limites cria uma sociedade inconsequente de seus atos.

Toda vez que vejo notícias sobre a eterna briga entre árabes e israelenses, lembro-me de minha mãe contar sobre o método que meu avô materno utilizava para resolver quizilas entre irmãos. Colocava os infringentes abraçados por determinado tempo e depois tinham que se beijar e pedir desculpas. Logicamente que dependendo do delito sobravam umas lambadas de chinelo de sola de pneu. Aí fico pensando na liberdade poética de poder amarrar os radicais dos dois povos que tanto se estapeiam. Amarrar todos juntos no deserto. Debaixo do sol escaldante. Só vão sair daí quando resolverem suas diferenças. E depois terão que se abraçar e se beijar e prometer que não farão mais isso. Crianças traquinas. Capaz de eles morrerem secos no sol ao invés de resolverem suas pendências. A falta de tolerância e aceitação das diferenças cria uma sociedade absurda.

Não gosto de falar mal de vizinho, mas que a Excelentíssima Senhora Presidente da Argentina anda merecendo umas boas palmadas nas nádegas, ah isso anda. Daquelas de deitar de bruços sobre as pernas e deitar a mão. Vejo até a cena ao som de “Não chores por mim Argentina”. Uma nação historicamente tão culta, aguerrida, determinada, se deixar levar mais uma vez por esse discurso populista bolivariano do século XIX? Parece coisa irreal. E enquanto os discursos vão para o tom de “todos estão contra nós”, ou “querem nos dominar”, a economia argentina antes tão pujante vai para o buraco. Quem anda viajando as terras dos hermanos nos últimos tempos tem notado a decadência da sociedade argentina e visto que parecem caminhar cegos atrás de líderes populistas. Só espero que em terras brasileiras não sigamos os mesmos caminhos de nossos vizinhos e sinceramente espero que alguém tenha coragem de dar as boas “palmadas” nos nossos governantes antes desse fato acontecer. A ignorância ufanista cria uma sociedade irresponsável.

No final das contas fico pensando que a vontade das palmadas, vara de goiabeira, puxões de orelha e afins vão ter que ficar realmente no campo hipotético, porque além da famosa Lei da Palmada (assunto para uma outra e polêmica crônica), temos que evoluir os métodos de tratamento da sociedade. Voltar a tratativas antigas e superadas remete a uma incapacidade do ser humano de pensar e evoluir, se bem que em determinados momentos dá uma vontade...   

  

 

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 08 de agosto de 2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Messi não é Maradona


Messi não é Maradona

 

           

Temos que confessar que essa foi uma das finais de Copa do Mundo mais sem graça dos últimos tempos. Pelo menos para nós brasileiros. Ficou um misto de “me belisca que devo estar sonhando” com “não sei onde estou” misturado com “não sei para quem vou torcer” que perdurou até o apito final do juiz. Isso devido a vários fatores que se misturaram num caldeirão de emoções que colocaram em dúvida qualquer amante ou não de futebol. Junte uma joelhada nas costas da estrela da Seleção Brasileira, uma goleada sem precedentes, uma seleção alemã que fez de tudo para cativar o brasileiro e um Messi com cara de cachorro pidão. Coloque uma pitada de rivalidade às avessas e a confusão esta formada. Mas de qualquer forma o objetivo principal dessa crônica não é analisar a final e nem o embate Alemanha/Argentina, e muito menos tentar explicar por esquemas táticos e técnicos a vexatória goleada que sofremos, mas levantar um fator pitoresco da ferida dos nossos hermanos. Vocês percebem a celeuma? Messi não é Maradona! Segue adiante um comparativo com a liberdade poética e o tempero ácido tupiniquim.

 

Maradona, Diego Armando. Messi, Lionel Andrés.

Maradona de Lanús. Messi de Rosário.

Maradona é a cara do argentino. Messi é a cara do menino criado pela avó.

Maradona tem Che tatuado. Messi nem tatuagem de henna.

Maradona é marrento. Messi é Mary Poppins.

Maradona bebe. Messi é bebê.

Maradona cheira. Messi não cheira e nem fede.

Maradona é um produto da massa. Messi é um produto para a massa.

Maradona é Boca. Messi Barcelona.

Maradona queria ser Pelé. Messi é amigo de Ronaldinho Gaucho.

Maradona em campo, brasileiro não torce. Messi é quase brasileiro.

Maradona não larga o futebol. Messi, largando, vai fazer trabalho voluntário na África.

Maradona provocou paixão nos argentinos. Messi é o melhor dos argentinos.

Maradona provocou ódio do resto do mundo. Messi jogaria em qualquer time do mundo.

Maradona é polêmico. Messi é o genro que toda sogra gostaria de ter.

Maradona ganhou uma Copa. Messi ganhou o Mundo.

 

No fundo, bem no fundo, tenho certeza que os argentinos gostariam de misturar as duas figuras. A genialidade de um com a concentração de outro. A capacidade de movimentar as massas de um com regularidade do outro. Sem dúvida nenhuma dois gênios separados por mais de duas décadas, mas que se diferem visceralmente. Messi não é Maradona. E consequentemente Maradona não é Messi. Ponto final. Mas aí resta-nos a pergunta crucial. Qual quereria no meu time? De bate pronto respondo: Pelé!

  

      

 

 

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 25 de julho de 2014