sexta-feira, 11 de maio de 2012

Amor de mãe

Queridos LeitoresDizem que não se pode colocar a mãe no discurso por que senão é choradeira na certa.
Corroboro.



Amor de mãe



           

Estava eu sentado na sala de espera do oftalmologista pela hora do almoço de hoje. Comigo estavam minha esposa e nossos dois pimpolhos. Montem a cena: sexta-feira, mais de hora de espera, passada a hora do almoço, meninos com pupilas dilatadas querendo desesperadamente correr pelos corredores. Montaram? Pois era esse meu cenário. No meio da balburdia, bem de soslaio, consegui ver o que passava no noticiário da pequena TV instalada na sala de espera. Era a mãe do suspeito da chacina de Doverlândia (quem não é de Goiás basta jogar no Google para descobrir) que havia falecido na queda do helicóptero da Polícia Civil no começo da semana no município de Piranhas. Percebi que seu semblante era de sofrimento. Justificado certamente pela perda do filho. A primeira reação que me veio à mente foi de desentendimento e revolta. “Como pode uma pessoa sofrer pela morte de um cidadão que supostamente assassinou sete pessoas e, por tabela, provocou a morte de mais sete na queda do helicóptero?”. “Não teriam as mães dos outros falecidos nas duas tragédias muito mais razões para chorarem?”. Acredito que teriam sidos os primeiros pensamentos da maioria das pessoas que me leem. Na maioria das vezes a revolta com as atrocidades não nos deixa ver o sentimento puro e o ponto de vista alheio. Na mesma hora olhei para meus filhos a minha volta, lembrei-me que se aproximava o dia das mães e recordei-me de palavras da minha. “Amor de mãe é incondicional”. E outras. “Você só vai entender esse amor incondicional quando for pai”. Hoje as entendo perfeitamente. Cada letra soa no meu ouvido como se fosse verdade. Verdade que descobri depois de ser pai. E vamos aqui dar a César, o que é de César. Nosso amor, de pai, não chega aos pés do amor materno. Despi-me de toda injúria pelo filho assassino e me compadeci da dor daquela mãe. Aquela que deu a luz, alimentou, educou, criou. Não analisemos aqui a qualidade e eficácia dessa educação. Se o desvio daquele cidadão foi educacional, psicológico, provocado pelo meio ou outro motivo qualquer, não nos cabe discutir nesse momento. Vendo aquela mãe com os olhos chorosos imaginei-a em seus momentos de reflexão se perguntado onde tinha errado. Por que sempre se culpam. Sempre. Isso faz parte do amor incondicional. Trazer a culpa para elas. “Preferia que fosse comigo”. Transpus a dor materna de uma mulher que já não tinha mais nada a fazer por seu filho para aquela sala de espera. Ali estavam os meus. Pequenos. Mentes em formação. Quisera eu naquele momento que suas pupilas continuassem dilatadas por toda a vida. Assim poderia guia-los com meus olhos. Evitaria que eles se iludissem com as luzes da vida e que esbarrassem nas pedras do caminho. Mas eis o amor incondicional novamente. Aquele que nos faz sentir que os filhos devem caminhar com as próprias pernas. Esbarrar em suas próprias pedras. Enxergar sua própria luz. Trilhar seu próprio caminho. É desse amor que estou falando. Do que vê o filho saindo de casa, mas nunca do coração. Que vê o filho dando um passo errado, mas nunca lhe nega colo. Que vê o filho querer singrar o mundo, mas nunca lhe nega abrigo. Esse é o amor incondicional. Esse que enche meus olhos de lágrimas ao escrever essas palavras. O mesmo que as mães sentem por seus filhos. O mesmo que aquela mãe sentia por seu filho. Aberração para nós. Filho para ela. Incondicional.





Meus sentimentos às mães que perderam seus filhos na chacina de Doverlândia e na queda do helicóptero em Piranhas. Todas as mães.





Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 11 de maio de 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Gratidão

Se a vida é feita de pequenas porções de felicidade, essa é uma big size com sobremesa. (com fotos)


Gratidão



Os leitores amigos já sabem que procuro dedicar minhas sextas-feiras a programas mais lúdicos e menos estressantes, como escrever crônicas a quem se interessar em lê-las. Pois bem. A dessa feita é muito especial. Não que as anteriores e as vindouras não sejam, mas sempre temos um xodó. Uma predileção. No ano de 2010 escrevi, com a colaboração de minha esposa, meu segundo livro intitulado “Viagem divertida pela Biodiversidade”. Esse livro foi um projeto especial da Orientação Pedagógica do colégio onde meus filhos estudam. A dificuldade de se encontrar publicações no mercado com o enfoque nas bases da educação logosófica, culminou em um projeto interessante onde os pais escreveriam os livros didáticos de seus filhos. O tema escolhido foi a biodiversidade e os personagens seriam a nossa própria família. Papai, mamãe e filhos fariam uma viagem desvendando as fito fisionomias do Brasil. Nada mais interessante e atual. Convidamos o talentoso Willian Fernando para as ilustrações e sob a batuta do competente Wesley Cesar, publicamos o que seria um simples livro didático restrito à turma de Helena, minha filha mais velha. No mesmo ano fizemos a entrega dos exemplares e as crianças cumpriram seu ano letivo utilizando os ensinamentos para enriquecer suas mentes em formação. Um presente para nós, autores e pais, que pudemos contribuir com a educação escolar de nossa filha e de seus colegas. Uma sensação de gratidão ímpar. Guardei alguns exemplares para distribuir entre os amigos e o projeto findou-se ai. Engano. A palavra lançada nunca volta vazia.

Hoje, pela manha e a tarde, voltamos a viver a mesma experiência. Fomos convidados a entregar os livros para mais duas turmas do colégio. A professora titular dessas turmas era, na ocasião do primeiro projeto, professora assistente, e tocada com a sensibilidade do livro resolveu efetuar-nos o mesmo convite. Prontamente aceitamos. Emoção revivida ao ver o brilho nos olhos das crianças folhando o livro. Cada página passada era uma expressão diferente nos rostinhos infantis e um sorriso nos lábios dos autores que observavam as manifestações. Num emaranhado de pensamentos em formação os pequenos seres se atropelavam para fazer perguntas e expressarem, de alguma forma, que haviam gostado do presente recebido. Mal sabiam eles que nós, os autores, éramos os maiores presenteados por termos contribuído, minimamente, com a formação daquelas pequenas mentes. Depois de sorrisos, abraços e felicitações, recitaram uma quadrinha em nossa homenagem e partimos para o lanche. A alegria que haviam sentido se expandiu em brincadeiras e muita fome. Comum no mundo das crianças. Eu quase não comi. A sensação de gratidão já havia me alimentado.

Penso que se morresse hoje, partiria satisfeito. Não diz o ditado que temos que ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro para dar nossa missão na Terra como completa? Pois é. Filhos já os tenho. Dois maravilhosos por sinal (pai coruja não né?). Livros também já tenho dois e árvores, perdi a conta de quantas plantei. Já estou com crédito para a vida que vem. Mas de tudo isso ficam sempre as lições. Ficam os olhos de gratidão. Ficam os ensinamentos de bem. Hoje entendo perfeitamente o significado do ditado. Na verdade temos que deixar nossa herança para o mundo. De preferência as boas. Essa é uma maneira de perpetuar nossa memória e ensinar as gerações futuras um pouco do que aprendemos. É a chamada Lei de Herança. Pensando melhor não partiria satisfeito não. Ainda tenho muitas árvores a plantar, livros a escrever e filhos a criar. Melhor assim.

           



(agradecimentos especiais a Professora Pollyanna e aos amigos Willian Fernando e Wesley César. Minha eterna gratidão)





Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 04 de maio de 2012

 Capa do livro

 Leitores concentrados

Personagens do livro (Otávio e Helena)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Minority Report

Toda uma vida num átimo de segundo.


Minority Report



Estávamos em meados de setembro de 1987 e lembro-me de estar em frente ao Ginásio Rio Vermelho, centro da cidade de Goiânia, aguardando na fila para ser submetido ao famigerado contador geiger (aparelho que mede nível de radiação). Acabava de estourar em Goiânia o caso do césio 137. As filas eram imensas e a falta de informação provocou uma corrida em massa para as portas do ginásio. Aquele barulhinho do contador povoou meus sonhos por muito tempo como um fantasma que espreita debaixo da cama. Fiquei um bom tempo sem ir à escola (ficava próxima do epicentro da contaminação) e ficamos um tempo na propriedade rural da família com medo de ser decretado estado de quarentena para os habitantes da capital do Estado.

Minha mãe conta até hoje nas rodinhas de família, que lembra com clareza quando eu cheguei assustado, carregando o aparelho de televisão em seu quarto anunciando que havia começado a Operação Tempestade no Deserto. O ano era 1990 e estávamos de novo na propriedade rural da família (fazenda para os goianos) e para ter sinal decente de TV era um custo. Nesse dia passei a noite toda enxergando nos chuviscos da tela a ofensiva americana no Oriente.

Lembro-me como se fosse hoje quando vi pela TV os aviões colidindo contra as torres do World Trade Center em Nova York. Parecia coisa de cinema e custava a acreditar no que via repetidas vezes pelo aparelho de televisão. Era 11 de setembro de 2001 e eu estava na capital federal. Na mesma hora pegamos o carro e nos dirigimos a Goiânia, escutando ao longo dos 200 quilômetros que separam as duas cidades, as notícias pelo rádio. Ao longo das curvas da estrada o sinal ia se perdendo e por vezes sumia por completo. Ficava imaginando se nesse meio tempo sem sinal, haviam decretado a 3ª guerra mundial e eu não estava escutando.

Estamos no ano de 2012 e hoje as notícias saem antes de serem vividas. Pensamentos se tornam realidade antes de serem plasmados. A internet vem mais rápida que a velocidade da luz e nos municia de informações e fatos. Nos assusta, nos informa, nos redime, nos condena. Quem disser que está mal informado hoje, ou está doido ou morto. As famosas mídias sociais, na maioria das vezes sem a devida responsabilidade, disseminam casos e acontecimentos que depois de soltos tomam vida e dificilmente voltam às suas gaiolas de origem. Estão sendo soltos lindos pássaros e terríveis aberrações. São os ônus e os bônus da já démodé globalização. Bem diferente dos anos de Césio, Tempestade no Deserto e Torres Gêmeas. Onde vamos parar com essa busca incessante por velocidade? Onde vai parar nossa responsabilidade diante dos fatos e seus desdobramentos? Estaremos partindo para uma tendência Minority Report? Quais as consequências disso para o discernimento dessa geração que já nasceu acelerada?

Esses dias conversando com amigos sobre os recentes escândalos na política nacional, alguém aventou a hipótese de que a memória do brasileiro era curta e que os políticos implicados logo estariam no circuito novamente. Outro discordou e disse que as mídias sociais e a internet não deixariam que isso ocorresse. Que a falta de informação era coisa do passado. Assim espero. De coração. Que essa geração tenha rapidez nas informações, memória grande, mas que ela não seja armazenada nas nuvens.        











Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 27 de abril de 2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Carpe Diem

Amigos leitores
Carpe Diem!



Carpe Diem



            Terminei o dia de ontem pensando em Edith Piaf. Iniciei o dia de hoje pensando em Mário Lago. Procurei na internet uma frase que tentasse exprimir o que estava sentindo. O oráculo do século XXI. Achei essa: “Sou como Edith Piaf, Je ne regrette rien (não lamento nada). Fiz o que quis e fiz com paixão. Se a paixão estava errada, paciência. Não tenho frustrações, porque vivi como em um espetáculo. Não fiquei vendo a vida passar, sempre acompanhei o desfile.” (Mário Lago). Coincidência? Não sei. Sei que um bom tema para uma crônica está se formando. Conjumina-se a isso uma peça que assisti no meio da semana. Belíssima e emocionante Carmina Burana de Carl Orff. Um presente à sensibilidade humana. Tema: O homem não tem o controle de sua vida, o famoso livre arbítrio. Seu destino é regido pela deusa Fortuna de uma forma aleatória e sem controle humano. Complexo né? Será que conseguimos juntar tudo em uma crônica só. Tentemos.

            Ao que parece e conta a história, os nossos dois interlocutores, Mário e Edith, aproveitaram a vida ao seu máximo. Amaram, beberam, excederam. Pelo menos é o que nos leva a crer as frases proferidas. Outra coisa em comum foi o não arrependimento, e até certo orgulho de não terem sido refém da vida e sim seu principal condutor. E, além disso, colocaram a paixão como principal regente da vida. Seu fio condutor. Como se os excessos cometidos fossem justificados pela paixão avassaladora pela vida. Bonito isso né? Em tese seria. Mas e na prática? Como explicar que Piaf tenha vivido só até os 47 anos, sendo que os últimos em sofrimento físico profundo (remediado e viciado em morfina) fruto de seus excessos em vida e Lago tenha vivido até os 91 anos em plena saúde e vasta produção artística e intelectual? E aí? Tenho certeza que muitos leitores nesse momento se viram tentados a levar em consideração a teoria de Carmina Burana. Seria o homem um joguete nas mãos do destino? Seria nosso destino pré-traçado e distante de nosso controle? A deusa Fortuna controlaria nosso futuro em um jogo de cartas marcadas? Talvez só isso explicasse essa disparidade de vidas humanas que têm meios iguais e fins totalmente diferentes. Será?

            Seria tão fácil pensar assim não é? Seria até cômodo. Simplificaram a vida! Para que vou me esforçar se o destino já está traçado? Vou é viver a vida a todo vapor. Drogas, sexo e rock and roll! Aí entra um segredo do poeta Mario Lago. Paixão. Mas não era disso que estávamos falando? Da paixão que destrói? Não. Estávamos falando de conceitos diferentes. Um tinha paixão por aquilo que minava sua vida e o outro tinha paixão por aquilo que alimentava sua vida. Ambos sem arrependimento. Será? Penso que não. Até os mais equilibrados sentem arrependimentos de certas atitudes tomadas, imagina aquele que jogou sua vida no abismo por quinze minutos de embriaguês psicológica. A ressaca é bem mais duradoura do que a tontura. Isso é fato. Não quer dizer que tenhamos que viver como monges tibetanos, mas penso que o equilíbrio de atitudes deve pautar a vida. Tenhamos paixão pelo que fazemos e pelo que somos, mas sem pensar que isso nos dá o direito de desperdiçar a vida com excessos constantes.

No final das contas se quem estava completamente correto era Edith, Mário ou Carl, eu não posso precisar. Tenho minhas conclusões como os leitores também devem ter a suas. Mas uma coisa os três tinham em comum. E talvez seja essa uma das chaves da vida. O conceito cristalino do poeta romano Horácio: “dum loquimur, fugerit invida aetas: carpe diem quam minimum credula postero. (enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso: colhe o dia, quanto menos confia no de amanhã)”. Colham o dia. Com parcimônia.





Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 20 de abril de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Túlio Agonia?

amigos leitores

segue uma opinião pessoal sobre a diferença entre perseverança e obstinação.

espero que gostem, concordando ou não


Túlio Agonia?



            O tema da crônica de hoje é baseado em uma notícia que escutei essa semana. Não passaria de um fato cotidiano do nosso meio esportivo se não beirasse a insanidade. Trata-se da transferência do jogador Túlio Maravilha para um time de futebol. Mas o que tem de novo ai? Digo. Ele sai do poderoso CSE de Alagoas (nada contra o time e nem contra a bela Alagoas) e vai para o Tanabi de São Paulo (o corretor ortográfico do Word sublinhou a palavra de vermelho. Sinal de que ele não a conhece). O que tem de estranho nisso? O Tanabi Futebol Clube é da 4ª divisão do campeonato paulista! Digamos que a próxima fase seria voltar às categorias de base do futebol. Tipo tampinhas ou mirim. E vamos mais longe. Sabe qual o prazo do contrato do jogador? Tipo assim: até o final do campeonato, um ano, seis meses... Nada disso! O contrato tem prazo de validade de 8 gols. Inédito no Brasil. Pelo menos eu nunca tinha visto isso. A questão por trás do fato é que o jogador quer chegar ao seu milésimo gol, e pelas contas do mesmo restariam 15 (fonte: DataTulio). Aí chegamos ao ponto nevrálgico da questão. Até que ponto podemos chegar para realizar um sonho? Existe limite para alcançar um objetivo? Quando o nosso esforço passa de saudável para doentio?

            Antes de mais nada quero deixar bem claro que não tenho nada contra o Túlio, pelo contrário. Como torcedor do Vila Nova tenho um imenso carinho por sua dedicação ao Tigrão da Vila. Trouxe muitas alegrias à torcida colorada assim como trouxe as mesmas alegrias a torcida esmeraldina do Goiás Esporte Clube (torcida menor que a do Tigrão, diga-se de passagem). Talvez aí esteja o grande segredo de Túlio. Ter jogado por equipes arque rivais e mesmo assim ainda ser amado por ambas. O artilheiro cativante com os pés e com as palavras ficou marcado pela artilharia e pelos comentários inteligentes e marqueteiros. Teve uma carreira de elite com passagem por times estrangeiros e pela Seleção Brasileira, com vários campeonatos estaduais por diversos estados diferentes e um Campeonato Brasileiro pelo Botafogo do Rio. Talvez aí resida o olho do furacão. Será que com todo esse currículo de campeonatos e títulos importantes, já não estava na hora do artilheiro pendurar as chuteiras? Essa busca desenfreada pelo milésimo gol não poderá lhe causar uma mácula profissional irreparável?

            Como eu não tenho nada a ver com a vida e os anseios do jogador limitarei a dar minha opinião sobre as atitudes. Colocando o exemplo dele como um aprendizado que podemos concordar ou discordar. Eu entendo que devemos entender a hora de parar. Que devemos saber quando um esforço de conquista está ficando caro perto do objetivo almejado. Se isso é fácil? Nem um pouco. Principalmente para aquelas pessoas ditas obstinadas. O que pode parecer para muitos uma qualidade (perseverança), pode se tornar uma grande deficiência (obstinação). Essa deficiência cega e ensurdece o indivíduo. Como achar o caminho do equilíbrio? Eis aí uma questão delicada. Mas acho que a opinião de quem está ao nosso lado e principalmente das pessoas que nos amam deve servir de balizador para nosso caminho. Quantas vezes não escutamos de nossas mães para não fazermos algo? E geralmente a teimosia gerava consequências danosas. Outra chave é dar ouvidos à sensibilidade e tentar enxergar a razão do fato. Quando uma pessoa caminha sem escutar seu lado sensível e avistar a razão ao fim do caminho, acaba por esbarrar em pedras que poderiam ser percebidas com maior facilidade. Penso que esse seja um bom caminho a se trilhar. No mais escutei várias vezes e nesse caso concordo com aquela velha frase: “Pelé e que soube a hora de pendurar as chuteiras. No auge.” Talvez por isso tenha sido único mesmo sem ser uma unanimidade.            

Guilherme Augusto Santana
#OCoveiro
Goiânia, sexta feira 13 de abril de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

Indignação

Amigos leitores

Um desabafo de um cidadão indignado



Indignação



         Hoje não teremos um tema abordado. Teremos um desabafo. Um desabafo de indignação. Indignação do verbo indignar. Tradução: “v.t. Excitar, provocar indignação. Causar repulsão a; revoltar, indispor. v.pr. Sentir indignação. Zangar-se, revoltar-se.”. Nesse ponto vocês poderão perguntar: “Porque tamanha indignação?”. E eu respondo. Porque é comigo mesmo. Nada pior. Reconhecer as próprias falhas e saber que resta muito a evoluir às vezes te dá a sensação de impotência. Lentidão. Antes que eu inicie o processo da autoflagelação deixe-me explicar melhor.

         Muitas pessoas já me falaram que não gostam quando escrevo de política. Por isso, hoje, quero deixar bem claro que não tratarei sobre esse assunto. Na verdade a política torna-se o pano de fundo para uma questão individual e de cunho pessoal. Mas não fiquem vocês achando que a coisa é só comigo e que estão livres desse ônus. Não é bem assim não, afinal somos muitos que padecemos desse mal. Qual? O mal do comodismo político. Não se esqueçam de que não estamos tratando de política e sim de comportamento. Mas é preciso tocar em alguns pontos para ser mais bem compreendido. Sequer citarei nomes. Não por omissão ou por receio, mas por não ser necessário ao desenvolvimento do tema. Porque nossos representantes políticos não conseguem fazer o que a eles foi designado? Porque tem que se envolver com esferas que não lhe dizem respeito? Será que nosso conceito de “coisa certa” é tão rígido assim que ninguém se encaixa nele? Será que nosso sistema político é tão errado assim que não conseguimos ver os autores em outro lugar senão nas páginas policiais? É compra de voto, prevaricação, corrupção, envolvimento com crime organizado, mentira. Mentira! A pior delas. Uma das poucas coisas que me ferve o sangue e faz perder o senso de educador é quando meus filhos mentem para mim. Parece que se perde o elo de ligação de seres humanos. E escutamos isso todos os dias de nossos políticos. Declarações mentirosas e omissas que beiram o ridículo. Será que alguém ainda acredita em alguma palavra proferida em alguma tribuna brasileira? Eu estou custando a ouvir, quanto mais acreditar. Chamem-me de palhaço. Isso é mais digno. Mais sincero. E eu faço a pergunta: “serei o único palhaço dessa história?”.

         Como disse no começo, trata-se de um desabafo. Desabafo indignado. Indignado por compactuar com esse cenário político que nos mancha. Indignado por não conseguir fazer algo de concreto para mudar esse pensamento coletivo. Indignado por muitas vezes pensar como o coletivo. Será que não somos todos “farinha do mesmo saco?”. Sempre desenvolvi a tese de que a corrupção está no sangue do brasileiro. Sei que muitos discordam dessa tese, mas isso é um tema profundo para ser discorrido em poucas linhas. E aqui estamos para discutir um caso pessoal. O meu. Um cidadão indignado por não ter forças e meios para colaborar de maneira contundente para um problema crônico da nossa história. E tenho certeza que muitos se sentem assim. Palhaços. Mas não quero recriminar ninguém. O que posso fazer? Pensar e educar. Pensar e expor minhas fraquezas, esperando que outros se indignem junto comigo. Educar meus filhos todos os dias. Ensinar a não mentir. Como preceito intrínseco do ser humano. Caráter como dizia meu pai. Espero que eles aprendam. Só assim serão cidadãos menos indignados. Menos palhaços.        



        







Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 30 de março de 2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Queimaremos cuecas na fogueira

Leitores amigos

Histórias e vivências.

Apreciem sem moderação


Queimaremos cuecas na fogueira



         O que pretendo relatar aqui foi uma experiência que tive essa semana e que remonta ao movimento de liberalização feminina dos anos 60 e seu ato mais lembrado na História que foi o “Bra-Burning” ou “Queima dos Sutiãs”. Como de praxe, gostaria de reforçar aos leitores que os relatos aqui expostos, são de cunho pessoal e intransferível. Às vezes pode parecer exagero, mas não passa de uma vivência colocada sob o foco de uma lupa para entendermos as nuances de fatos corriqueiros. Afinal, entendo que o segredo da vida esteja nos detalhes. Vamos aos fatos.

         Era uma quarta-feira como outra qualquer. Na proa trabalho pela manhã e uma reunião de negócios na hora do almoço. Nada de espetacular. Como de praxe, antes de sair de casa, avisei a esposa que não poderia levar os meninos na escola pois tinha a tal reunião de negócios. Ela concordou. Logo seu celular toca e no telefonema alguém avisa sobre um compromisso inadiável. Ela não pode mais levar os meninos na escola. Pensa. Ligo para mamãe. Ela sempre me salva. Mamãe pode. Enquanto isso banho, café da manhã e preparativos para sair. Mamãe liga de volta. Não pode mais. Vai ficar com a neta recém-nascida. Júlia. O jeito é cancelar o almoço. Esposa sai para trabalhar. Ficou para o pai (no caso eu) levar Helena no balé. Acorda Helena. Mamadeira para Helena. Helena vai arrumar. Cadê a empregada que não chega para fazer o coque de balé na Helena?! Liga para a empregada. “Olha Dr. Estou no médico. Não vou poder trabalhar hoje”. Nessa hora você escuta Maysa cantar: “meu mundo caiu!”. Sem esposa, sem mãe e sem empregada. E agora José? Rapidamente coloco os neurônios para funcionar. Não deve ser tão complicado assim. Conto a Helena que eu terei de fazer seu coque. Mando que ela busque os apetrechos para a realização da cirurgia. Ela sobe. Enquanto isso, acordo Otávio (o mais novo). Mamadeira para Otávio. Terei que levar Otávio comigo. Helena demora. “Anda menina senão atrasa!”. Helena volta com uma dúzia de coisas e uma folha de papel. “O que é isso?”. “Papai, como é sua primeira vez, fiz um esquema explicativo de como fazer um coque. Se você seguir direitinho não vai errar.”. Detalhe que ela só tem 6 anos. Na folha tinha desenhado passo a passo a execução do coque. Para não achar que é conversa de pai, anexarei a foto que tirei do esquema. Depois de fechar a boca de tanto espanto, comecei o ato. Vai daqui e vai dacolá. Faz um rabo de galo, coloca a liga, passa gumex (era assim que chamava na minha época), coloca grampo, coloca rede, amarra, desmancha e começa de novo. Além do desafio do coque, ainda tem Helena dando palpite e Otávio batendo nos dois com uma espada. Lá pela quarta tentativa a coisa ficou mais ou menos. Corre. Veste roupa no Otávio. Coloca menino na cadeirinha do carro. Vai. Na porta do Studio de balé Helena constata: “Esqueci minhas sapatilhas!”. Enche o olho de lágrima. A primeira reação é de dar uma senhora bronca, mas engole e sai para comprar uma sapatilha na loja mais próxima. Coloca menino na cadeirinha. Chega à loja. Desce menino da cadeirinha. Compra. Coloca menino na cadeirinha. Volta ao Studio. Nessa hora Otávio já dormiu. Não dá tempo de ir ao serviço e voltar. Dá uma volta. Volta para buscar Helena. Coloca menino na cadeirinha. Lembra que tem natação. Volta para casa. Desce menino e coloca as vestes para piscina. Cadê o protetor solar? “Esse dá alergia papai.”. Passa protetor (o que não dá alergia). Corre. Coloca menino na cadeirinha. Natação. Volta para casa. Arruma as mochilas da escola. Uniformes. Cadê os uniformes? Sempre estão fora da gaveta de uniformes. Arruma lanche. Nessa hora aquele pedido da escola de levar lanches saudáveis vai para o ralo. Skiny e bolacha recheada. É o jeito. É a pressa. Volta para a natação. Coloca menino na cadeirinha. Volta para casa. Direto para o banho. Enfia os dois no chuveiro. Linha de produção. Sai do banho. Seca e coloca roupa. Mamãe liga. “Vem almoçar aqui?”. Nessa hora você tem certeza da existência de Deus. Coloca menino na cadeirinha. Mochilas, lancheiras e uniformes. Casa de mamãe. Almoço. Corre que está atrasado. “Escovou os dentes?”. Lógico que não né? Coloca menino na cadeirinha. Escola. Quando chega à porta da escola você se sente como o mecânico de Formula 1 que está apertando o último parafuso da troca de pneus. Parece “slow motion”. Quando eles entram na escola dá vontade de levantar as mãos e zerar o cronômetro. Nesse instante você olha para o tempo e o sol brilhando. As nuvens vão passando e os passarinhos cantam. Estou livre!

         Como disse no começo, pode parecer um exagero, mas só a lente de aumento pode mostrar os detalhes e nos dizer algo de proveitoso sobre nossos fatos cotidianos. Primeiro que nós homens damos conta do recado. Essa coisa de serviço doméstico ser extremamente desgastante é conversa para boi dormir. Depois que entra no ritmo, podemos lidar com isso com a mão nas costas. Mais um marketing feminino que vai para o ralo. Segundo que nós homens, pais em especial, deveríamos assumir mais as tarefas cotidianas. Principalmente as que envolvem nossos filhos. Isso nos trás detalhes e riquezas que não conseguiríamos nunca somente aos fins de semana. Penso que esse é um dos segredos. No mais vê logo meu adicional de periculosidade e meus passes de ônibus que vou ali queimar umas cuecas na fogueira. Chega dessa opressão feminina.               







Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 23 de março de 2012

santanagui@hotmail.com



Como prometido, o esquema para se fazer um coque de balé. Qualquer dúvida contatar Helena.