sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Habemus Mater?

segue análise de um qualquer.


Habemus Mater?

 

            O assunto do mês que não posso me furtar em comentar é a renúncia do Papa Bento XVI. Tentarei fugir do meio comum e entrar por um ponto de vista diferente. Não sou Ilze Scamparini que acompanha o Pontífice de perto, nem teólogo que emenda mil teorias sobre seu afastamento e muito menos fiel cego que acredita piamente na Santa Madre Igreja. Portanto terão a análise de um qualquer. Alguém que tenta ver sobre outro ponto de vista. Teorias muitas têm surgido para calçar a saída do chefe máximo da Igreja Católica. Questões ligadas a sua saúde, ligadas ao seu conservadorismo, ligadas à omissão e acobertamento de casos de pedofilia dentro da igreja, ligadas a golpes e tentativas de tomada do poder, ligadas ao Banco do Vaticano e sua ingerência e possível lavagem de dinheiro. Ou seja, questões que povoam o imaginário popular. Ninguém precisa ser especialista para lançar sua opinião. Nos bares, praças e igrejas, todo mundo tem uma teoria sobre a renúncia. Isto posto, a distância que estamos de sabermos o que realmente acontece intramuros no Vaticano. Aliás, diga-se de passagem, a maioria dos brasileiros (e aí penso que a maioria dos católicos do mundo se encaixa) tem uma visão do Papa muito distante. Forante a voz da Ilze e as missas rezadas na Praça de São Pedro, não sabemos nada do Pontífice. Nada mesmo. E como advenho da crença cristã católica, passando por quase todos os sacramentos (batizado, primeira comunhão, crisma, matrimônio), tive a oportunidade de perceber a distância que a Igreja Católica teve de seus fiéis nos últimos séculos. Haja vista a evolução corrente das religiões de origem protestantes arrebanhando fieis por se imiscuir mais profundamente nos anseios dos mesmos. Pude presenciar crises de identidade e críticas vorazes ao conservadorismo e falta de adaptabilidade aos ditos “tempos modernos” e perceber a morosidade e peso de uma instituição que caminha a passos lentos e calculados. E ai culminamos numa situação em que a Igreja não passava há mais de seis séculos. A renúncia de um Papa. E aí percebemos uma comoção geral pela figura de Ratzinger. Todos abraçaram o Papa como se estivesse à beira da morte. Discursos inflamados sobre sua atuação e o legado que vai deixar. Citações sobre a coragem e a bravura diante da renúncia. O Papa é nosso! A instituição Igreja é nossa! Escondamos as sujeiras debaixo do tapete (que não são poucas) e proclamemos nossa fé inabalável na Santa Sé! Isso me faz lembrar uma tese que minha avó defendia com unhas e dentes. “Sei todos os defeitos do meu filho, mas ele não deixa de ser meu. E o defenderei com unhas e dentes, mesmo sabendo de seus erros e suas falhas.” Essa é a representação máxima do instinto materno. Aquele que defende a cria independente da situação. E a Igreja, assim como outras religiões, é cria do homem. Foi forjada e pensada por mentes humanas. Com o objetivo sim de alcançar Deus, mas concebida humanamente. E aí me vem o questionamento. Será que não estava na hora de pararmos de agir como mães instintivas e passáramos a agir como mães racionais e sensíveis? Não estou dizendo para abandonarmos a cria, mas para fazermos uma análise profunda sobre seu comportamento e sua atuação. A Igreja Católica, tal como está hoje (e aí coloco todas as religiões e crenças de maneira geral), passaria por esse crivo de racionalidade e sensibilidade materna? Habemus Mater?       

 

 

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 22 de fevereiro de 2013

sábado, 16 de fevereiro de 2013

a gente não quer só comida

Uma crônica de sábado com cara de nostalgia. Com Titãs e tudo.


A gente não quer só comida

 

            Hoje fiz um programa inusitado com a família. Daqueles que você fica um tempão prometendo e nunca cumpre. Pois bem. Feito está. Peguei esposa, filhos e sogra e fomos ao Mutirama (para os que não são de Goiânia, trata-se de um parque de diversões municipal). Tinha bem uns 30 anos que não entrava no parque. Talvez 30 seja exagero. Digamos que 29 seja mais razoável. Pois bem. Desde sua remodelagem, fico escutando de longe os comentários de ambas as partes. Os da oposição e os da situação. Logicamente que cada um puxando brasa para sua sardinha. Escutei maravilhas e críticas ferozes. Desde a montanha russa de segunda mão comprada a peso de ouro até comparações com parques americanos. Logicamente que minha tendência a peneirar comentários com ênfase política é bem ativo, então resolvi tirar a prova pessoalmente.  

            Começamos com o estacionamento que é pequeno e de difícil acesso (principalmente para quem estava acostumado com a antiga entrada). Mas vejam só. Tem estacionamento! Coisa rara nos dias de hoje nas grandes cidades. E é grátis e sem flanelinhas! Cheguei e parei meu carro. Tranquilo. Ao comprar o ingresso quase caí de costas. R$ 10,00. Meia entrada R$ 5,00. A primeira impressão que se tem é que deve ser um parque dos mais fubás. Mas logo minha mente recobra o objetivo para o qual foi criado o mesmo. Um parque municipal com entretenimento subsidiado. Pois bem. Dando uma geral percebe-se uma boa quantidade de funcionários públicos cuidando dos brinquedos. Sem uniforme e muitas vezes sem disposição de trabalho. Mas vejam só. Existem funcionários públicos! Coisa rara em um parque público. Pois bem. Começamos com os brinquedos mais leves e fomos aumentando o grau de dificuldade. Meus filhos, que ainda não conhecem a Disney, estavam encantados. Montanha Russa, Roda Gigante, Twister, Casa Fantasma, Autorama...não sabiam aonde ir primeiro. Lembrei-me da minha infância. Lembrei-me o que o Mutirama representava. Lembrei-me dos domingos. Dos lixos em formato de palhaço (não existem mais). Dos bebedouros em formatos de bichos (não existem mais). Fui puxando um fio da memória e relembrando momentos agradáveis passados debaixo daquelas árvores (ainda existem). Resolvi brincar junto com os meninos. Dei-me esse direito depois de 29 anos. Talvez 28.

            Mas nem tudo são maravilhas. Os brinquedos estão bem melhores, mas a manutenção continua falha. As normas de segurança ainda precisam melhorar. As barracas de alimentos estão bem controladas, mas ainda precisam de um ajuste da vigilância sanitária. A limpeza está boa, mas ainda pode ser melhor. Mas isso só percebe quem é adulto. As crianças parecem enxergar de outro jeito. Parecem enxergar de um jeito particular. Com cores diferentes. Será que vamos perdendo essas cores quando crescemos?

            Muitos podem dizer que quando meus filhos forem para Epcot, Universal, Bush Gardens entre outros, acharão o Mutirama fraco e monótono. Pode ate ser. Essa criançada de hoje eleva seu nível de exigência muito rápido. Coisa da modernidade. Mas vou dizer uma coisa. Eu conheço a maioria desses parques americanos e não deixei de me emocionar e nem de me divertir hoje. E vamos ser bem francos. Ele não foi feito com a intenção de agradar famílias como a minha. Ele foi feito e revitalizado para aqueles que não têm a oportunidade de conhecer outros. Então imaginem a alegria dessas crianças ao brincarem nesse, que para elas, é a Disney. E para aqueles que acham um absurdo serem gastos tantos recursos em um parque de diversões público, eu cito Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito: “ a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

 

 Guilherme Augusto Santana

Goiânia, quarta feira 16 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

quem remove montanhas?

Aperitivo para a festa santa e profana que se aproxima.

Todo ser carrega o bem e o mal dentro de si.




Quem remove montanhas?

 

            Na crônica de hoje narro duas histórias de vida distintas com um ponto em comum. Vou me abster temporariamente dos nomes para não incorrerem em análise precipitada dos fatos. Sem mais delongas vamos a elas.

 

            Senhor X (que não é Eike Batista) nasceu na esfuziante capital brasileira na década de 40. Não me enganei de capital, pois é do Rio de Janeiro que estou falando. Filho de família de classe média e com nome tradicional na sociedade, o cidadão teve oportunidades inerentes a sua classe social. A ele foram disponibilizados todos os meios educacionais, como ingresso nos melhores colégios da cidade, quiçá do Brasil. Educação de primeira, tanto em casa como fora dela. Senhor X foi expulso ou convidado a se retirar, o que dá no mesmo, de três colégios dos quais havia ingressado. Notas pífias. Foi considerado burro para os padrões vigentes à época. Os pais tentaram de tudo para colocar o filho no caminho da retidão. Em vão. Foi internado a primeira vez em uma casa de recuperação (eufemismo de manicômio) com suspeitas de necedade e desvio sexual (achavam que o menino era homossexual). Das outras duas vezes que foi internado na mesma instituição de saúde foi por surto psicótico mesmo. Havia quebrado todo o quarto e provocado uma confusão sem par. Foi submetido a inúmeras seções de eletrochoque.  Fugiu da casa de recuperação duas vezes. Fugiu de casa um sem número de vezes. Viveu perambulando pela zona do baixo meretrício muitos anos, fazendo uso dos serviços de homens e mulheres que ali buscavam fazer a vida. Fez um pacto com diabo. Usou drogas de todos os tipos. Abusou.

 

            Senhor Y coincidentemente nasceu na mesma época de Senhor X e no mesmo local. As condições familiares e sociais foram as mesmas. Resumidamente, um princípio igual. Porém Senhor Y queria ser escritor. Aliás, ele queria ser o maior escritor do mundo. Com essa ideia em mente ele se embrenhou pelos caminhos tortuosos da arte. Foi ator, diretor, roteirista, produtor teatral. Foi criticado mais vezes que ovacionado. Escreveu fiascos e também Best Sellers. Publicou cerca de 17 livros dos quais atingiu a marca de mais de 100 milhões de exemplares vendidos em 150 países. Seus livros foram traduzidos em 66 línguas diferentes. Foi considerado o escritor de língua portuguesa mais lido de todos os tempos. Ocupa a cadeira número 21 da Academia Brasileira de Letras. Foi nomeado pela ONU “Mensageiro da Paz”. Abusou.

 

            O que esses dois indivíduos tem em comum? Simples. São a mesma pessoa. O escritor Paulo Coelho. Interessante não? As conclusões que podemos tirar dessa análise são muitas. Amplas. Profundas. Mas vou me ater a uma somente. Um desejo que Paulo expressou por toda a vida. Retratada em sua biografia escrita por Fernando Morais. Ele sempre quis ser um grande escritor. Sempre acalentou esse desejo. O de ser o maior. Eis ai o resultado. Sem entrar nos méritos da sua qualidade literária, não podemos negar o lugar aonde ele chegou. O topo. E aí eu me pergunto: A fé remove montanhas ou a vontade remove montanhas?

      

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 08 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

pego pela boca

saindo um pouco da rotina e coçando de vontade de comentar os assuntos da semana
 
 
 
 
Pego pela boca

 

            Abro mão do meu recesso cronístico (forçado pela carga excessiva de trabalho) para lembrar aos caros leitores um ditado popular muito falado pela minha querida mãe. Trata-se do: “quem fala demais, dá bom dia a cavalo”. Além disso, digamos que cocei de vontade de comentar o assunto da semana. Na verdade “o assunto” se divide em dois e que no final das contas se fundem em um só. Entenderam? Não?! Explico melhor.

            Um dos assuntos tem um caráter mais regional, porém sua repercussão chegou a pular o Rio Paranaíba (os goianos quando querem falar que a notícia deixou de ser regional, mencionam o rio de fronteira estadual). O recém-empossado Diretor do PROCON de Goiânia, sob forte tensão emocional, comentou no twitter que, fazendo reconhecimento de meliantes que haviam assaltado sua casa, percebeu que a grande maioria dos “fichados” na polícia tinha tatuagens. Ele poderia ter percebido uma série de outros fatores como a cor da pele, a estatura, a quantidade de olhos e orelhas ou outras características mais nos supostos meliantes. A questão foi tentar relacionar, em tom de desabafo, o crime com o uso da tatuagem. Como se fosse matemático. Estatístico. Chegou a citar Aristóteles para corroborar em sua teoria (o filósofo grego deve ter se remexido no túmulo). Gosto sempre de pensar que a pessoa agiu de boa fé. Que houve na verdade um mal entendido. E não vou agir diferente nesse caso. Entendo que o Diretor não quis chamar todos os tatuados de bandidos (muito menos os que têm uma cerejinha grafada nas nádegas). Nem acredito que ele tenha esse nível de preconceito tão baixo e démodé. Prefiro acreditar que foram palavras infelizes que tomaram uma repercussão maior que o próprio fato em si. Reverberadas pelas famosas e eficazes (para espalhar declarações equivocadas) redes sociais. Ai chegamos ao ponto que une os dois fatos. Primeiro vamos ao segundo episódio.

              Esse foi de caráter bem nacional. Digamos que de caráter midiático. O então participante goiano (só dá Goiás essa semana) do BBB 13, Dhomini, protagonizou uma declaração aterrorizante. Parecendo não ver que as câmeras o estavam acompanhando ou querendo causar algum tipo de sentimento visceral (prefiro a segunda opção), o ex-campeão do reality show declarou que certa feita tinha arrancado os dentes de um cachorro com um machado porque o mesmo o havia mordido. Pois bem. Por conta dessas e de outras, o participante foi eliminado (por votação popular) do programa e possivelmente responderá processo por maltratar animais. Da mesma forma que dei a dúvida pró-réu no primeiro caso, o faço no segundo. Não acredito que tenha acontecido realmente o relatado pelo moço, e sim, acho que foi uma inoportuna tentativa de chamar a atenção. Digamos uma mentirinha para ilustrar um caso ou tentar impressionar alguém. Acho que encaixa mais no perfil do nosso ex-ex BBB. Porém o caso foi amplamente divulgado e tivemos manifestações mil pelas redes sociais. Das sociedades protetoras de animais, Ministério Público e fabricantes de machados. A notícia correu a rede igual rastilho de pólvora. Aí entramos no cerne da questão. Junta-se ao que ocorreu ao Diretor do Procon e temos uma conclusão.

            Em tempos de internet, vale outro ditado. “Escreveu, não leu, o pau comeu”. Inocente ou não, as palavras podem se tornar navalhas cortantes e se voltarem contra quem as proferiu. Em tempos de redes sociais um pingo não é mais letra. É uma sentença inteira. E aqui vai meu puxão de orelha para os dois lados. Os que proferem pensamentos sem pensar nas consequências e os que reverberam o assunto de maneira vil sem se inteirar do real significado dos fatos. Inconsequência de ambas as partes. Precisamos fugir dos extremos. Precisamos caminhar para o centro, pois a maioria de nós, em determinados momentos da vida, já esteve dos dois lados. Do lado de quem disse o que não devia e do lado de quem criticou o que não precisava. Pensemos.

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, quarta feira 23 de janeiro de 2013

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Rosemary, Aquiles, Salomé e calcanhares

Cuidado com as mulheres Presidente...
 
 
 
Rosemary, Aquiles, Salomé e calcanhares

 

           

“- Dispara agora, filho de Príamo!. Ordenou Apolo, que arremessando-se junto com o dardo, foi conduzindo-o até o seu alvo, que era o calcanhar direito de Aquiles.

O guerreiro, alvejado pela seta mortal, sentiu o pé fraquejar, embora dor alguma lhe lancinasse as carnes.

- Fui alvejado… Gritou Aquiles, compreendendo, num instante, que seu fim se aproximava.

Arrancando o dardo do calcanhar, que sangrava copiosamente, mesmo assim o filho de Peleu ainda encontrou forças para continuar batalhando...

... - E tão certo quanto agora cumpro meu negro fado, chegará muito em breve a vez de vocês também cumprirem o seu! Não terão como escapar, e então sentirei espumar em minha boca, mesmo nas moradas sombrias, o sumo feliz da vingança!

Aquiles cerrou seus lábios e sua armadura finalmente retiniu sobre o chão, com imenso estrondo, cobrindo-se de seu próprio sangue ajuntado ao pó.”

(A morte de Aquiles – Lilia Cristina de Souza Machado)

 

“E, chegando um dia favorável em que Herodes no seu aniversário natalício dera um banquete aos seus dignatários, aos oficiais militares e aos principais da Galiléia, entrou a filha de Herodias (Salomé) e, dançando, agradou Herodes e aos seus convivas.

Então, disse o rei à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu te darei.

E jurou-lhe: Se me pedires mesmo que seja a metade do meu reino, eu te darei.

Saindo ela, perguntou a sua mãe: Que pedirei? Esta respondeu: A cabeça de João Batista.

No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse: Quero que sem demora, me dês num prato a cabeça de João Batista.”

(Bíblia – Marcos 6:21-25)

 
Uma coisa não podemos negar quando se trata do Partido dos Trabalhadores e o ex Presidente Lula. A lealdade canina dos seus integrantes para com seu presidente de honra. Uma a uma foram caindo as peças e em nenhum momento se viu um tiro de fogo amigo contra o ex Presidente. Quer ele estivesse ou não na cadeira de autoridade máxima do país. Muito se especula sobre o projeto de dominação do PT para com o Brasil e sua relação estreita com o que resta de socialismo revolucionário, “Chavismo”, “Castrismo”, entre outras teorias conspiratórias. O leitor sabe o que penso sobre essas fantasiosas teorias e não preciso dizer que acho-as no máximo engraçadas. Mas volto ao ponto em que comecei a crônica. Fidelidade é o ponto chave da questão do “petismo” e “lulismo”. Sucumbiram, em tabuleiro de xadrez, as torres, os bispos, os cavalos e um sem número de peões. Para cada cabeça cortada surgiu uma nova peça. Parecido com o rabo de lagartixa que cresce novamente após decepado ou abandonado em fuga. Sucumbiu seu principal articulador que agora fatalmente irá cumprir um tempinho de prisão e não se escuta nem uma palavra que envolva o nome do rei. Dirceu era o braço direito de Lula. Sucumbiu o herdeiro político e ideológico em questões até hoje obscuras e o rei continua incólume. Palocci era o braço esquerdo de Lula. Nisso tudo um peão se transforma em rainha. Todos protegendo o rei. Será assim por muito tempo? Seria a fidelidade petista impenetrável? Eis que surge o nome de Rosemary Noronha. Secretária da Presidência da República. Aquela que detém todos os segredos do reino. Alguém se lembra que o processo de derrubada do Presidente Collor iniciou-se com a cunhada Tereza Collor? Ah as mulheres... como Salomé...enfurecidas e vingativas. Dizem as más línguas que elas não podem ser contrariadas e muito menos abandonadas. A História nos conta isso. Seria Rosemary o calcanhar de Aquiles do intransponível rei? Seria ela a pedir a cabeça real em uma bandeja de prata? Ah as histórias, Histórias e estórias... veremos como acaba essa.

       

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, quarta feira 05 de dezembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Macunaíma e Joaquim

segue uma reflexão no mínimo diferente.




Macunaíma e Joaquim

 
       

No ano de 1928 um dos mais importantes escritores brasileiros, Mario de Andrade, escrevia o romance modernista “Macunaíma” que é considerado um dos marcos da literatura nacional. O personagem tema era um índio nascido na floresta amazônica e que tinha uma fraqueza de caráter inigualável. Traição, preguiça e mentira eram características desse, que foi considerado o primeiro anti-herói nacional. Na verdade, como sugere a frase inicial do livro: “no fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite.”, ironicamente, o autor pretendia sustentar que aquele representava o ideal de herói brasileiro. No fundo uma velada crítica a miscigenação de raças e religiões que adornavam a sociedade brasileira naquele início de século. A falta de caráter e principalmente a preguiça escancarada de Macunaíma aqueceu o imaginário popular e em muito contribuiu para o que Nelson Rodrigues chamaria mais tarde de “complexo de vira lata”, no qual o brasileiro se considerava raça miscigenada e por isso menos capaz que outros povos ditos puros. Mas não estamos aqui para analisar questões literárias e sim para capturar esse personagem, Macunaíma, para compararmos com outro que vem logo a seguir. Senão vejamos.

 

O assunto da semana que passou, foi a posse do Ministro Joaquim Barbosa como Presidente do impoluto Supremo Tribunal Federal, ou como carinhosamente chamam os brasileiros: “Supremo”. O primeiro Presidente negro do STF. E o mais empolgante de tudo: por méritos próprios. Joaquim se tornou pop. Capa de revista, jornal, blog, veículos nacionais e internacionais. Assunto de mesa de boteco. Comparam-no com Batman (sem conotação de homossexualidade). Cotaram-no para Presidente da República. Pensaram-no para ajudar o Palmeiras a não cair para a segundona. Chamaram-no de herói. Aí o ponto onde quero chegar. HERÓI. Um país que tem um histórico recente de democracia e encontra poucas pessoas na vida pública que possam encarnar essa tão importante veste. Seria Joaquim a antítese de Macunaíma? Seria ele o anti anti-herói? Um homem de reputação ilibada e caráter reto? Será esse o ideal de salvador da pátria que tanto ansiamos? Senão pensemos.

 

Isso tudo mereceria uma tese de doutorado. Assunto vasto que merece dissecação acurada. Logicamente que seria quase insano comparar um personagem plasmado em páginas de livro com uma pessoa real de carne, osso e humanidade. Macunaíma foi criado para extremar a falta de caráter a que pode chegar um ser. E por isso acho temeroso tentar fazer de Joaquim o extremo oposto. O homem caráter. Reto e indefectível. Já observamos alias, algumas manifestações de sua personalidade que não consideramos de todo qualidades. Mas também não estamos aqui para analisar essa ou aquela atitude do Presidente do STF, e sim para tentar entender o efeito que isso causa no brasileiro. Aos poucos vai caindo por terra a tese de Nelson do cachorro vira lata. Talvez até por conta de nossa miscigenação concentrada (Isso também mereceria outra tese). Talvez porque a mistura de raças e culturas nos tenha dado algo muito importante nos dias atuais de globalização. A famosa “adaptabilidade”. E para quem nos chama constantemente de “República de bananas”, digo o seguinte: Yes, nós temos bananas! E temos também Joaquim! Vai encarar?          

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 23 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Família, família

Uma confissão de amor a minha família e ao bem que ela me faz.



Família, família

 

            Canta Titãs: “Família, família, papai, mamãe, titia. Família, família, almoça junto todo dia. Nunca perde essa mania.”. Porém temos visto que esse conceito tem mudado ao longo dos tempos. Quer seja pelas novas estruturas não ortodoxas das famílias modernas, quer seja pela ciranda da vida moderna que impede a continuidade de seus ritos tradicionais. Em resumo, a instituição “família” em seu significado original, está se perdendo. Diria melhor. Está em fase de mutação. Eu me considero uma pessoa de sorte. Ainda tenho uma família tradicional. Pode parecer pretensão ou conservadorismo, mas orgulho-me ainda mais disso. Que atire a primeira pedra quem passou dos 30 e não viu seus conceitos se despirem do liberalismo de adolescente. Mas não entremos em polêmica. Hoje quero falar de família. Da minha. Ontem parte dela se reuniu. Comemoração. Alias tenho notado que ultimamente as famílias tem se reunido somente por dois motivos: Comemorações e velórios (sendo que a segundo não é permitido falar mal de ninguém). Voltemos. Comemorávamos o aniversário de um tio que não mora na cidade. Um médico errante. De homens e de almas como São Lucas. Uma pessoa muito querida por toda família. Mas quem não é? Cada um o é, a sua maneira. Tios, primos, filhos, netos, bisnetos, noras, mães, agregados e crianças. Criança não tem classificação. Apesar de que nessas mudanças de conceitos, elas, as crianças, estão se tornado cada vez mais dominantes. Ah e ia esquecendo a figura primaz! A matriarca. Aquela que tudo vê apesar de todos acharem que os detalhes lhe são alheios. Engano. Lá está ela sempre a observar e sorrir como que dando uma benção para toda aquela algazarra de gerações que se mistura entre comidas, bebidas e conversas. Cada um fala de suas experiências, vivências, mágoas e percepções da vida e de como a novela está chata. Enquanto isso, as garrafas de vinho vão sendo abertas e estancadas numa profusão de aromas que estimula cada vez mais a elevação do volume da conversa. Todos gritam, riem, gargalham e se entendem. Como se nada mais importasse em suas vidas a não ser aquele momento. Talvez quem olhe de fora não entenda que dialeto aqueles seres proferem, mas podem ter certeza que o entendimento se faz presente. Nem sempre por palavras, mas por laços de afeição. A velada linguagem dos sentimentos, que naquela mesa transborda. As crianças quebram o ritmo da conversa enfiando suas mãos nos tira gostos sobre a mesa como se fossem batatas fritas e sempre recebem reprimendas como se valessem de alguma coisa. Ora ou outra se escutam choros e brigas que logo se desfazem com uma boa conversa ao pé do ouvido: “se você não parar de brigar com seu primo nós vamos embora”. E nesse momento o que menos as crianças querem é deixar a brincadeira. Paro por um momento para observar toda essa profusão. Vejo muitas coisas. Sinto muitas coisas. Olho para a matriarca. Ela me olha. Sorri. Não sou o único a observar. Não sou o único a sentir. E as conversas continuam. E de repente, não mais que de repente, todos acordam da hipnose familiar e percebem que as horas já avançaram e que é necessário voltar para suas casa. Despedem-se com o compromisso de voltarem a se encontrar. As vidas retomam seus caminhos.

 

Hoje acordei com uma ressaca danada. Não do vinho, mas da saudade. Essa não se cura com água ou analgésico. Ela só vai passar quando nos reunirmos de novo. A família. Espero que seja breve.

 

Guilherme Augusto Santana

07/11/2012

santanagui@hotmail.com