sexta-feira, 14 de junho de 2013

o furo no barco

Eike Batista e o furo no barco



O furo do barco

 

            Tenho acompanhado com certo receio as últimas notícias sobre os negócios do empresário Eike Batista. Não por investir em ações das famosas empresas “X” e muito menos ainda por parentesco ou simpatia pessoal pelo mesmo. O que me preocupa é um sentimento de satisfação de algumas pessoas pelo tremor nas estruturas de negócio do cidadão. Parece assim que estão torcendo para dar errado. O que tenho escutado são comentários do tipo “coitado, caiu na lista dos mais ricos do mundo” (em tom de deboche), ou “bem feito” (em tom mais direto), ou ainda “tomara que quebre” (em tom de praga mais que direta). Isso me preocupa. Não os negócios de Eike, que a meu ver sofrem oscilações normais de mercado, mas essa cultura que paira sobre o povo brasileiro. Muitos podem achar que exagero na análise, mas façamos um teste. Pense em um empresário bem sucedido. Vamos lá não é difícil. Jorge Gerdau, Norberto Odebrecht, Abílio Diniz, Antônio Ermírio de Moraes são alguns exemplos. Qual o primeiro pensamento que vem a mente quando cito umas dessas pessoas. Com certeza rico. Não bem sucedido. Com certeza sorte. Não competência. Com certeza explorador. Não gerador de empregos. Com certeza sonegador. Não pagador de impostos. Com certeza beneficiário das benesses do governo. Nunca carregador da economia. Observaram? Esse é o pensamento geral. E olha que estamos falando dos maiores empresários do país. Se você que está me lendo agora é um empresário, deve ser vítima dos mesmos pensamentos. Vindo de muitos dos seus funcionários, vizinhos e amigos. Porque carregamos a pecha de ladrões e exploradores de mão de obra. Não entendo bem se esse comportamento advém da apatia cultural herdada no nosso processo de formação como povo ou se advém desse falso conceito de socialismo nos apresentado pós século XX. Só sei que é um conceito errado. Eu pelo menos acho. Num país onde precisamos de geradores de emprego, somos incentivados a sermos sustentados pelo Estado. De geradores a consumidores. Uma sociedade voltada para o governo e não para seus próprios cidadãos. Não estou querendo aqui dar um salvo conduto a todos os empreendedores e empresários que temos, afinal em qualquer segmento da sociedade temos joio e trigo. Assim também o temos entre a classe trabalhadora. E nem, de forma alguma, desmerecendo quem optou ou foi optado por ser trabalhador remunerado. Acho que a escolha depende de oportunidades, capacitação e aptidão. Conheço muitos profissionais remunerados na iniciativa privada ou no poder público que são competentes, aptos e felizes com o que fazem. Exercem suas funções. Assim como conheço inúmeros empresários que amam produzir e gerar emprego. E não estamos falando aqui de ganhos financeiros também. Da mesma forma conheço vários trabalhadores assalariados que ganham mais que muitos empresários. Mas não se tratando de importância e nem de remuneração, do que tratamos então? Tratamos de uma noção retrógrada de que a classe empresarial está lá por motivos vis. Por motivos alheios a sua capacidade e competência. Até sorte imputam a eles. Preferem que venham se juntar a mediocridade do que despontar e crescer. Isso me preocupa. Um país que não valoriza seus empresários acaba matando sua economia de inanição. E no final das contas estamos todos no mesmo barco. Não adianta cruzarmos os braços e criticarmos quando o furo é do outro lado da embarcação, porque uma hora a água vai chegar a nossos pés. E assim sendo, vamos todos afundar. Eu sinceramente espero que Eike passe por essas turbulências e retome o caminho que foi traçado por sua capacidade empreendedora. Assim como desejo a todos os empresários que queiram se embrenhar por essas duras paragens. Porque com o crescimento empresarial, cresce o país, cresce a renda, cresce o emprego e crescemos todos nós.     

 

 

* uma singela homenagem a todos os amigos empresários, que assim como eu, seguem firmes e fortes nessa dura missão.

 
Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 14 de junho de 2013

sexta-feira, 7 de junho de 2013

e viva Uruguay!

uma viagem, alguns amigos e muitas histórias


E viva Uruguay!

 

Os leitores que me acompanham de mais tempo, já devem ter lido minhas crônicas sobre viagens e aventuras eno gastronômicas. Isso não é à toa. Faço-as para, quem sabe um dia, ser descoberto por uma grande revista de turismo que me pague para viajar, escrever, comer e beber. Não necessariamente nessa mesma ordem. Aí romperei os grilões que me prendem a esse ofício de enterrar pessoas (brincadeirinha. Gosto muito do ofício de coveiro). Mas o motivo dessa crônica de hoje já está no título. Nosso vizinho menor (em extensão) o Uruguai. Com “y” ou sem, conforme a sua vontade e idioma. Estive pela primeira vez no país semanas atrás. Uma gracinha. Diria que um bibelô. Embarquei no imponente aeroporto Santa Genoveva (para quem o conhece sabe que é uma crítica) e logo na fila do embarque encontramos dois casais de amigos que também seguiam o mesmo destino (aliás, já é de tempo que nós brasileiros dominamos o turismo no cone sul. Os goianos então...). Descendo no aeroporto de Carrasco, vi uma construção antiga e pequena com os dizeres de aeroporto e comentei com minha esposa: “olha aí o povo reclamando do aeroporto de Goiânia e o de Montevideo é pior ainda!”. O avião foi se afastando do prédio antigo e percebi que havia me enganado. Maldita língua grande. Eis que surge o verdadeiro Aeroporto de Carrasco. Belo e imponente. Uma obra de arquitetura como nunca vi em aeroporto nenhum pelo mundo. Depois fiquei sabendo, por um amigo que mora no país, que sua arquitetura é ganhadora de vários prêmios internacionais de design e arquitetura. Justo. Muito justo.

 

Aeroporto de Carrasco

 

            Descido do avião e recolhido as bagagens (levei bronca porque esqueci de trancar a mala da esposa. Como se cadeado inibisse furto em mala nos aeroportos), alugamos um carro para cumprir as distancias pretendidas. Vai ai uma dica para Montevideo. Tudo é muito longe. A cidade é espalhada pela orla do Rio da Prata e o carro economiza muito nos deslocamentos. Além de proporcionar uma liberdade diferenciada. Primeira sorte da viagem. Ganhamos up grade no carro! Coisa rara ganhar coisas em viagens. Geralmente perdemos coisas. Mas segue o cortejo. Logicamente que o pacote de dados que foi desbloqueado no Brasil não funcionou e a ligação para a operadora de celular foi inevitável. Tenho um problema. Os amigos que me conhecem sabem disso. Não consigo ficar sem internet. Não consigo ficar sem passar vontade nos que ficaram. Mas é um problema menor. Pelo menos eu acho. GPS funcionando vamos ao hotel. No caminho já se percebe a beleza da cidade. Ruas largas e se desenvolvendo como um jogo de xadrez pela orla do Rio (que parece mar). Costeando pela Rambla, que é como eles chamam a avenida beira rio. O hotel se situava no bairro de Pocitos. Local agradável e centralizado. Charmoso diria com precisão. Corre, faz check in no hotel porque a fome está grande (aliás, passar o dia a base de sanduiche de presunto com queijo e amendoim é o forte das companhias aéreas). Escolhe o restaurante baseado em indicação de um amigo. La Perdiz. Um misto de pub e restaurante tradicional. Uma gracinha. Ambiente a meia luz. Pede logo uma garrafa de vinho da terra. Uva Tannat (de origem francesa, se adaptou muito bem no Uruguai e foi adotada como uva nacional). Provolone e chouriço de entrada, bife de ancho de principal, pudim de dulce de leche de postres (ah o doce de leite...), licor de limoncello de exagero, café para fechar. Olha vou falar. Tudo tendo a parrilla (churrasqueira típica uruguaia) ao fundo. Parece que o calor vai aumentando e o tom das conversas também. No fim encontramos os amigos conterrâneos que esbarramos no aeroporto de Goiânia. Mais vinho, mais calor, mais conversa. A viagem tinha começado muito bem.

 

Parrilla do La Perdiz

      

            Diz a primeira regra do viajante que em dia de voo não se deve exagerar na comida e na bebida. Infringir essa regra traz consequências maléficas. No outro dia de manhã a esposa amanheceu com intoxicação alimentar. Conhecedor da sua fragilidade estomacal, recorremos a um casal de amigos que mora em Montevideo. Preciso internar a moça. Depois da broca merecida da amiga do porque não ligamos para avisar da chegada, fomos ao melhor hospital da capital. E quando digo melhor não estou exagerando. Fomos tratados muito bem. Rapidez e profissionalismo. Fiquei sabendo pela amiga que o Uruguai tem a fama de melhor sistema de saúde da América do Sul e que tem a maior frota de ambulâncias per capita. Isso tudo devido a grande quantidade de aposentados que moram na capital. Diria que é a Disney da melhor idade. Soro e exame de sangue. O dia estava perdido. Menos mal. Deve ter sido para compensar o up grade do carro. Se assim foi, estávamos quites. Podíamos voltar à diversão. Não tão diversão foi pagar a conta do hospital. Salgada. Muito salgada. Mas necessária (tomara que o seguro do cartão de crédito reponha). Com o contratempo da internação, perdemos o dia de almoçar no Mercado do Porto. Local indicado por 10 entre 10 visitantes de Montevideo. Passamos o dia com comidas amenas e rápidas. Merecíamos um jantar de gala. E assim o fizemos. Juntamente com os casais conterrâneos fomos ao Francis. Restaurante estrelado e tido como contemporâneo. Perfeito. Decoração de alto gosto. Atendimento delicado e presente. Vinho... ah o vinho. Como estávamos em muitos, foram várias garrafas e várias cepas. Tannat, Carmenere, Cabernet. Uma orgia de sabores e aromas. A comida é uma reedição refinada dos tradicionais pratos uruguaios. Esbaldei-me com as molejittas (bochechas) ao molho de vinho. Ah o vinho... sempre presente. Nas viagens temos uma mania interessante e engordativa. Fazer uso da sequencia completa do jantar. Vinho, entrada, principal, sobremesa (famosos postres) e café. Pronto. Não fugimos a regra. Tudo muito bom. Mais uma vez a conversa agradável juntou-se ao ambiente agradável e a comida e bebida agradável e estávamos todos agradados. Na saída fomos seis adultos no carro para uma carona solidária aos amigos. Nessa hora o aperto do carro e a noite fria não faziam efeito no alto teor alcoólico exarado. Tudo era diversão.

 

Molejittas do Francis

           

Desta feita o dia amanheceu bem. Esposa tinha se contido nos acepipes e descemos para o café da manha com a proa virada para a famosa Punta del Este. Balneário dos habitantes de Caras na América do Sul. Parece que São Pedro adivinhou o dia da viagem, pois mandou um dia ensolarado mas com temperatura amena. Estrada de pista dupla até o balneário. Tranquilo e bem sinalizado. Pedágios mostram o porquê dessa belezura. Sem transtornos. Entramos em Punta e ai entendemos o motivo da fama. Nunca fui à costa do mediterrâneo, mas penso que deve se assemelhar muito. Prédios baixos e caros, restaurantes estrelados a beira mar (ou seria rio?), praia de areias turvas salpicadas por pedras negras. Um luxo só. Passeamos por toda a orla e fomos aos pontos turísticos básicos. Sabe aquele lugar que dá vontade de morar? Pois é. É esse. O programa estabelecido previa um almoço no famoso Cassino Conrad, mas uma dica da amiga que morava em Montevideo nos fez virar no rumo de José Inácio, uma praia paradisíaca que era a nova coqueluche dos casamentos dos milionários brasileiros. No caminho casas belíssimas. Caríssimas. Depois ficamos sabendo que Punta é um “refúgio” fiscal dos milionários do Uruguai, Argentina e Brasil. Como não preciso esconder meus ganhos, afinal ganho muito pouco, fiquei só admirando as belas mansões dos caros arquitetos. Chegando a José Inácio fomos direto ao La Huella (a pegada). Restaurante indicado por 11 dos 10 que visitaram essa praia. Uma cabana incrustada na areia. Um paraíso (única palavra que define). Os atendentes vestidos todos de Lacoste, nos trataram como ricos e famosos. Tudo muito discreto e eficiente. Para variar um pouco na carta vinífera, escolhi uma bodega regional, mas uma uva de origem alemã. A Gewurstraminer. Olha... isso com a vista da praia casou perfeitamente. Pedimos logo uma entrada. Ceviche de corvina. Muito bom. Estávamos apreciando nosso vinho com ceviche quando uma casal sentado ao lado puxou conversa. Eles eram gaúchos mas tinham casa em Punta. Nos contaram que iam no La Huella só para comer o quiche de cebolas reduzidas no vinho Tannat com queijo pecorino. Pensei: “se eles tem casa em Punta e se abalam de lá só para comer essa entrada, seria heresia não experimentar”. Aí entra uma parte lúdica da história. A indicação caiu como uma luva. Que prato delicioso! Suave e intenso, se é que podemos colocar dois adjetivos tão antagônicos juntos. Recomendo a partir de agora. O prato principal foi um peixe grelhado na parrila com puré de calabaza (abóbora) e o restante vocês já devem supor. Não obstante o magnífico almoço, e tendo como norte a gula que nos guia, tivemos que passar para comer as mais famosas medialunas de Punta no Calentitas. Perfeitas. Tome com um cappuccino e aproveite para levar o doce de leite da terra. O ambiente do Calentitas é sui generis. Decorado ao estilo hippie chic, as coisa são dispostas de maneira aleatória e sem seguir um partido decorativo fixo. Tipo aquelas casas decoradas com coisas recolhidas na rua. Muito interessante. Comido e bebido partimos para o famoso por do sol na Casapueblo. Esse programa, também imperdível, é um sonho visionário do artista uruguaio Carlos Vilaró. Uma casa construída em meia encosta de frente para o mar/rio. Arquitetura única no mundo. Mistura das casas de Santorini na Grécia com um toque de taipa feita a mão. Na hora que o sol se põe, escutamos uma audição do próprio Vilaró recitando um texto de sua autoria em homenagem ao astro rei. Fotos e mais fotos e uma sensação da nossa pequenez diante desse fenômeno da natureza. Emocionante, romântico e acolhedor. Voltamos para Montevideo revigorados.

   


Punta del Este e o Restaurante La Huella (a pegada)

 

 


Casapueblo. Por do sol e romantismo (quase não conseguimos tirar essa foto de tanto rir)

 

 
Quiche de cebolas no Tannat e pecorino do La Huella e atum com crosta de ervas do Panini´s

 

 

            Como não poderíamos deixar de fazer, jantamos em alto estilo. Com nossos companheiros de viagem fomos ao Panini’s conhecer a maior adega de Montevideo. O restaurante é um italiano agradável. Pratos grandes e saborosos. E a adega é um caso a parte. Vários rótulos compráveis e incomparáveis. Desta feita um atum com crostas de ervas me seduziu. Mas uma vez a conversa girou em torno dos nossos vícios e prazeres gastronômicos. Os amigos estavam fazendo sua despedida da capital Uruguaia e nós estenderíamos a nossa estada em mais um dia. Despedimo-nos em alto estilo.

 

            O domingo ainda raiava quando saímos em nossa última incursão pelos prazeres da terra uruguaia. Na prazerosa companhia do casal de amigos que divide a morada entre Montevideo e Miami e que nos socorreu no caso do hospital, fomos passear pelo charmoso bairro de Carrasco com seus casarões antigos e imponentes. Uma visita guiada é sempre mais interessante. Ficamos sabendo as particularidades da História do Uruguai, seu socialismo precoce, seu Presidente caricato e sua tentativa de modernização. Uma visita imperdível no mesmo bairro é o Hotel Cassino Carrasco com sua arquitetura palaciana e sua decoração suntuosa. No lobby do hotel encontram-se quatro (eu disse quatro) dos famosos cavalos abajur do design Philippe Starck. Coisa fina. O cassino é um espetáculo a parte. Um misto de sons, luzes, cores e sonhos de enriquecimento fácil. Coisas da ganancia humana. Felizmente esse vício não me seduz e não consegui sequer sentar à mesa para um jogo de blackjack ou uma apostinha na roleta. Menos mal. Fiquei só na admiração. Após o passeio cultural partimos para um passeio que muito me agrada. Vinícola. Partimos para a Vinícola Boutique Bouza. Chegamos já na hora do tour do vinho. Coisa boa para quem nunca fez. Eu como já estou no décimo tour, limitei a apreciar as belas paragens da estância. Tudo cuidadosamente montado para o turismo. Uma exposição de carros antigos e um bistrô de classe completam o cenário bucólico e aprazível. Depois do tour vem a parte mais aguardada da visita. Beber e comer. Pedimos uma garrafa de um dos melhores cortes da casa: Tannat, Merlot e Tempranillo. Néctar dos deuses. Para acompanhar o vinho, jamon serrano de entrada, carneiro com salada de rúcula de principal e principalmente a linda vista do parreiral pela janela. Não nos esqueçamos o creme brulee de sobremesa e o já tradicional café. Depois disso tudo a cama nos chama né? Nada disso. Uma visita breve pelo centro histórico de Montevideo com direito a mais história. Uma das mais interessantes foi a do Palácio Salvo desenhado pelo arquiteto Mario Palanti inaugurado em 1928. O prédio foi erguido no mesmo local onde funcionava a Confeitaria La Giralda no qual foi apresentado o tango uruguaio mais famoso: La Cumparsita (e eu que jurava que esse tango era argentino). Aliás, reza a lenda que o tango foi criado no Uruguai e que Carlos Gardel seria uruguaio. É para matar os hermanos de raiva né não? Mas a particularidade do Palácio Salvo que mais intriga é um homônimo, Palácio Barolo, construído pelo mesmo arquiteto em Buenos Aires. E dizem que um farol no topo de cada prédio fazia a comunicação entre as cidades. É ou não uma história a ser contada? No mais o centro histórico da capital se assemelha muito aos de outras cidades da América do Sul de colonização espanhola. Uma praça central, um belo teatro (Solis), o palácio do governo e prédios tombados. A noite já havia chegado quando fomos fazer nossa última refeição. O escolhido foi o alemão Dackel. Nada mais do que um alemão tradicional. Apertado, móveis antigos, garçons da melhor idade e comida farta. Chopp na caneca de porcelana e Eisben (joelho de porco) com chucrute, batatas e bastante mostarda. Para fechar com chave de ouro, apple strudel. Não poderia deixar de ser. Depois dessa, cama.

 

 
Hotel e Cassino Carrasco e o famoso cavalo abajur de Philippe Starck
 
 



Vinho e Carneiro ao vinho na Vinícola e Boutique Bouza

 

 

 
Palácio Salvo no centro histórico e o Eisben do Dackel
 

Nascer do sol em Pocitos

 

 

 

O dia da volta não é dos meus preferidos. Pula cedo da cama e reza uma Ave Maria para as coisas caberem dentro das malas. Devolve carro. Faz check in. Raspa o último limite do cartão de crédito no Duty Free (que não anda compensando tanto como antigamente). Parte de volta para o Brasil. Viajar é sempre bom, mas já disseram uma vez que voltar para casa é ainda melhor. No aeroporto esperavam dois curiangos ávidos por abraços e é claro, presentes. À hermosa capital Montevideo meu muito obrigado pela hospitalidade. Espero nos vermos mais vezes. A bela Punta del Este um desejo. Quem sabe um dia ter uma bela casa em suas areias brancas. Quem sabe. E quem disse que voltando de viagem temos que parar de sonhar?

 

Papai você trouxe presente?

 

 

 

# agradecimentos fraternos e especiais aos companheiros de viagem Ludmila, Lillian, Marcelo e Floriano pelos jantares divertidos. Aos amigos Rute e Renato pelo socorro prestado e pelos momentos de gastronomia e história do Uruguai. E ao amigo José Luiz Martins (quase um uruguaio) pelas preciosas dicas.

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 07 de junho de 2013

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Senhor Cidadão

uma piada com lição de moral


Senhor Cidadão

 

Sou obrigado a denunciar uma situação terrível. Estou extasiado. Diria, embasbacado. Aconselho as pessoas que têm problemas cardíacos a se ausentarem da sala (ou não lerem a crônica). A situação é escabrosa, mas não posso me omitir em momento tão estapafúrdio. Chegou até minhas mãos um documento da Secretaria de Administração Civil do Estado de São Paulo que coloco em anexo para apreciação de Vossas Senhorias. Leiam com atenção.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 













Tenho motivo ou não para tamanho desassossego? E a população preocupada com PEC 37, 57, 1007 e MP de Portos! Enquanto isso, promulgam leis e decretos que ferem a nossa dignidade. Como assim lenha?! Cadê a denominação “de reflorestamento” para demonstrar a origem da lenha? Porque gasolina azul? Porque é mais cara? Isso me cheira superfaturamento. E quanto aos carentes? Terão suas taxas de incineração abonadas? E a liberdade de ir e vir? Onde está? Como proibir uma pessoa de ingerir bebida alcoólica? E o que dirá a Associação Produtora Unidos de Maringá de Batata Doce, a ASPUM Doce? Bulling contra a pobre batata! Despautério puro! Descabido e Inverossímil.

Para muitos pode soar como uma brincadeira do Coveiro que vos fala, e que o assunto não tem a mínima relevância, mas no fundo precisamos fazer uma análise profunda sobre um tema muito importante para nossa cidadania. O que nossos parlamentares andam legislando e nossos executivos andam decretando. Esse é um exemplo fantasioso, mas tenho certeza que inúmeros monstrengos parecidos com ele rodam pelo país. São Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas e Prefeituras que não tem a mínima noção do que significa legislar. Tenho certeza que se pelo menos uma vez na vida cada cidadão acompanhasse uma seção em uma casa legislativa do seu Estado ou Município, iria sair de lá certo de que o que a maioria dos eleitos menos faz, é representar o povo que os elegeu. Fora os prefeitos que são diplomados sem a mínima noção de administração e entendimento de patrimônio público. O que se vê, na sua grande maioria, são currais de empregos e prelazias que se legitimam pelo voto popular. Os que moram nas grandes cidades e capitais já tem sentido o que a pressão popular pode provocar nos legisladores e administradores. Penso que esse é o primeiro passo para o que almejamos como maturidade política. Cidadãos interessados e responsáveis por seus políticos. Afinal, eles não estão lá por obra do acaso, senão por única consequência do nosso voto. Fiquemos de olho.

No mais, senhor cidadão, melhor você pesquisar na internet essa lei que estabelece o limite de idade para apresentação no Departamento de Controle de População. Vai que né?  

 
 

(agradecimentos ao amigo Jonas Lobo que me enviou essa pérola)


 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 17 de maio de 2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

a tal da logística

vamos rir para não chorar


A tal da logística

 

            Estava eu pensando esses dias sobre um assunto que está na moda. A tal da logística. O fato que ocasionou tal pensamento foi uma manhã numa obra de reforma. Pasmem os senhores e as senhoras que não me conhecem intimamente, que me formei engenheiro. Os trabalhos funerários foram uma opção de vida, portanto hoje, só realizo obras para uso próprio. Voltando ao fato, estava eu madrugando na obra que está em fase de acabamento. Acabamento com o cidadão que vos fala. Notei que passei a manhã toda ligando para fornecedores e, por conseguinte, proferindo palavras de baixo calão para os mesmos. Vidro atrasado, alumínio errado, pintor que não apareceu, ar condicionado que não chegou e por ai vai (espero que alguns fornecedores meus leiam essa crônica). As desculpas são variadas e no fundo são as mesmas. Na essência nada muda. Trata-se da tal da logística. Conclui naquele momento que o trabalho de um engenheiro nos dias atuais é de logística. E assim conclui que o do administrador também, o dos gerentes também, o dos supervisores também, o dos políticos também... ou seja, todos hoje somos operadores de logística. Duvidam? Senão vejamos.

           

Bastou um pequeno incentivo do governo para que a construção civil aquecesse seus motores e partisse em disparada rumo ao tal almejado eldorado. Muitos achando que finalmente o país iria se tornar um canteiro de obras rumo ao desenvolvimento. O que aconteceu? Faltaram materiais e mão de obra, ou seja, insumos básicos para o setor. Faltou a logística de recursos humanos e produção do país. Nós não nos planejamos para esse crescimento. Não temos nem pessoal e nem produção suficiente. Culpa de quem? Da tal da logística.

           

Bastou um pequeno incentivo do governo para que a agricultura fizesse jus à alcunha de “celeiro do mundo”. Produções recordes. Safras homéricas. O que aconteceu? A China cancelou um contrato bilionário de importação de soja brasileira por incapacidade de escoamento do produto para o outro lado do mundo. Falta de logística de infraestrutura. As estradas e os portos não suportam escoar a safra. Ainda utilizamos como principal matriz de transporte o meio rodoviário. Engatinhamos na ferrovia e hidrovia nem pensar. Culpa de quem? Da tal da logística.

           

Bastou um pequeno incentivo do governo para que a indústria automobilística vendesse como nunca. O sonho do carro próprio. Indústrias rindo para as paredes. O que aconteceu? Faltou produto. Fila de espera de seis meses. Falta de logística de produção. Além disso, tivemos um derramamento de veículos nas ruas das grandes cidades. Um caos total. Falta de logística de trânsito. Muitos insatisfeitos. Os que queriam comprar carro, mas não conseguiram o produto e os que tinham comprado mas não conseguiram andar. Culpa de quem? Da tal da logística.

           

Bastou um pequeno incentivo do governo para que muitos fizessem sua primeira viagem de avião. O sonho de tirar os pés do chão preconizado por Santos Dumont. Passagens parceladas a perder de vista. Junta a tralha e vamos para o aeroporto. O que aconteceu? Filas, atrasos, cancelamentos, bate bocas. Faltou logística aeroportuária. E olha que ainda temos uma Copa e uma Olimpíada. Privatiza, estica, encolhe, arruma e improvisa. Os aeroportos do país não estavam preparados para essa demanda. Culpa de quem? Da tal da logística.

           

Como parece que tudo é culpa da logística, penso em sugerir a Lulu Santos e Waly Salomão que mudem a letra da música “assaltaram a gramatica”. Segue texto sugerido:

 

“Assaltaram a gramática

Assassinaram a lógica

Meteram poesia, na bagunça do dia-a-dia

Sequestraram a fonética

Violentaram a métrica

Colocaram a culpa na logística

Meteram poesia onde devia e não devia”

      
 

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 22 de março de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

se eu quiser falar com Deus

apenas uma reflexão em tempos de novo Papa.



Se eu quiser falar com Deus

 

            Ontem o mundo inteiro esteve de olho em uma chaminé. Na cor de uma fumaça. Nas portas de um balcão na Praça de São Pedro. Na carinha de um dos muitos cardeais que vestia branco naquele momento. E o mundo inteiro viu o novo Papa. Latino americano. Argentino para ser mais preciso. As redes sociais e os canais de notícias de todo planeta vasculharam sua vida. Dados, entrevistas, amigos e inimigos. O Papa estava desnudo diante da população mundial. Perguntas e mais perguntas foram lançadas ao ar sem direito a resposta. Será que haverá renovação na Igreja Católica? O papa é mais Cúria ou mais povo? Teremos avanços em assuntos como aborto, preservativos, união homossexual, celibato, ordenação de mulheres? Teremos retrocesso? Não só os católicos se perguntam. O planeta inteiro pergunta. Ai entro no cerne da questão que gostaria de refletir. Não vou me ater a nacionalidade do Pontífice e nem ao nome que doravante será chamado e muito menos as piadinhas diversas sobre a rivalidade com os hermanos argentinos. O ponto é o seguinte: porque a escolha de um Papa ainda movimenta de sobre maneira o mundo civilizado? Em que esse chefe de Estado influencia a vida dos seres humanos? O que vimos e continuamos vendo nesse ultimo século é uma instituição que se movimenta a passos lentos quase parando. Uma instituição que não acompanha as mudanças e adaptações que o mundo esta sofrendo. Uma instituição que se afastou de suas bases pastorais e deixou caminho farto para a evolução crescente das religiões protestantes. Uma instituição que cheira a mofo da idade média. Então porque essa mobilização toda? Católicos e não católicos discutindo sobre um assunto que parece saído do começo dos tempos. E aqui coloco no mesmo balaio outras religiões que tem pregações belíssimas, mas no fundo tem o fim de arrecadar dinheiro para perpetuação do poder individual. Igrejas e pregadores que se arregimentaram do nome de Jesus para cobrar por isso. Como se fossem intermediários diretos de Deus. Que deus é esse que precisa de intermediários assim? No fundo não passam de instituições com o fulcro de dominação nas diversas esferas políticas e sociais. Mas tudo em nome do Senhor. Faço esses parênteses, para opinar que essa prelazia de caminho errado não esta sendo seguido só pela Igreja Católica. Esta sendo seguido por inúmeras igrejas espalhadas pelo planeta. Aí chegamos a mais um ponto nevrálgico. Será que o caminho certo é esse? Serão esses os planos que o Criador arquitetou para o homem? Será que Ele nos deu inteligência (privilégio único entre os seres viventes) para ficarmos agarrados na barra de sua saia como crianças choronas? Será que precisamos disso para falar com Deus?    

 

“Se eu quiser falar com Deus


Tenho que ficar a sós


Tenho que apagar a luz


Tenho que calar a voz


Tenho que encontrar a paz”

 

(Gilberto Gil)

 

 

 

 Guilherme Augusto Santana

Goiânia, quarta feira 14 de março de 2013

quinta-feira, 7 de março de 2013

Champagne e água benta

Um obituário para dois.



Champagne e água benta

 

Propus-me um desafio. Desafio digno de coveiro que é minha alcunha. Escrever um obituário para um dos personagens mais controversos dos últimos cem anos da história mundial. Mas não um obituário comum. A proposta é tentar incluir uma música do cantor e letrista do Charlie Brown Jr., também recém-falecido, Chorão. Mas não uma música qualquer. Uma canção que pudesse servir para os dois personagens. Chávez e Chorão. Segue o arranjo.

 

Obituário

 

“Minha vida é tipo um filme de Spike Lee.

Verdadeiro, complicado, mal-humorado e violento.

Você é bonito, e eu sou feio.

Sua mãe te ama, mas eu te odeio.

Quem tem boca fala o que quer, só não pode ser mané.

Coração de vagabundo bate na sola do pé.

Zica tem monte, zóião, da até em penca.

Eu tomo banho de banheira com champagne e água benta”

 

Nascido Hugo Chávez Frías, segundo de seis filhos do casal Hugo de los Reyes Chávez e Elena Frías, na cidade de Sabaneta, Estado de Barinas, Venezuela, América do Sul em 28 de julho de 1954. Regido pelo signo de leão, foi criado em ambiente modesto e começou carreira pelo exército chegando ao posto de tenente coronel. Indignado que era por natureza tentou golpe de Estado contra o governo. Foi preso e anistiado. Abandonou a carreira militar e abraçou a política. Fundou partidos. Fundiu partidos. Foi eleito Presidente da Venezuela no ano de 1999 e lá permaneceu até que um câncer lhe ceifasse a vida. Era um colecionador nato. Colecionou várias coisas: Eleições e Reeleições, afetos, desafetos, polêmicas, popularidade. Era amigo de Fidel e Raul Castro, Lula e Dirceu (que não vai ao seu sepultamento porque não tem passaporte). Era inimigo de Bush pai e filho, Obama, Rei Juan Carlos e meio mundo de gente. Falava mais que o homem da cobra. Falava a linguagem que o povo entendia. Recebeu o cala boca mais veemente da história da humanidade. Por uns é considerado o sucessor de Simon Bolívar. Por outros um populista ditador. Uma coisa é certa. Ileso ele não passou por esse mundo. Hugo Chávez faleceu no dia 05 de março de 2013. Uns dizem que foi em Caracas, capital da Venezuela e outros em Havana, capital de Cuba. Controverso como sua trajetória. Choram de pesar por ele quatro filhos, uma boa parte do povo venezuelano e uma pequena porção do povo do planeta. Choram de satisfação por ele o restante não citado.

 

“Não tão complicado demais, mas nem tão simples assim”

 

Hugo Chávez Frías

28/07/1954 – 05/03/2013

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, quinta feira 07 de março de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Habemus Mater?

segue análise de um qualquer.


Habemus Mater?

 

            O assunto do mês que não posso me furtar em comentar é a renúncia do Papa Bento XVI. Tentarei fugir do meio comum e entrar por um ponto de vista diferente. Não sou Ilze Scamparini que acompanha o Pontífice de perto, nem teólogo que emenda mil teorias sobre seu afastamento e muito menos fiel cego que acredita piamente na Santa Madre Igreja. Portanto terão a análise de um qualquer. Alguém que tenta ver sobre outro ponto de vista. Teorias muitas têm surgido para calçar a saída do chefe máximo da Igreja Católica. Questões ligadas a sua saúde, ligadas ao seu conservadorismo, ligadas à omissão e acobertamento de casos de pedofilia dentro da igreja, ligadas a golpes e tentativas de tomada do poder, ligadas ao Banco do Vaticano e sua ingerência e possível lavagem de dinheiro. Ou seja, questões que povoam o imaginário popular. Ninguém precisa ser especialista para lançar sua opinião. Nos bares, praças e igrejas, todo mundo tem uma teoria sobre a renúncia. Isto posto, a distância que estamos de sabermos o que realmente acontece intramuros no Vaticano. Aliás, diga-se de passagem, a maioria dos brasileiros (e aí penso que a maioria dos católicos do mundo se encaixa) tem uma visão do Papa muito distante. Forante a voz da Ilze e as missas rezadas na Praça de São Pedro, não sabemos nada do Pontífice. Nada mesmo. E como advenho da crença cristã católica, passando por quase todos os sacramentos (batizado, primeira comunhão, crisma, matrimônio), tive a oportunidade de perceber a distância que a Igreja Católica teve de seus fiéis nos últimos séculos. Haja vista a evolução corrente das religiões de origem protestantes arrebanhando fieis por se imiscuir mais profundamente nos anseios dos mesmos. Pude presenciar crises de identidade e críticas vorazes ao conservadorismo e falta de adaptabilidade aos ditos “tempos modernos” e perceber a morosidade e peso de uma instituição que caminha a passos lentos e calculados. E ai culminamos numa situação em que a Igreja não passava há mais de seis séculos. A renúncia de um Papa. E aí percebemos uma comoção geral pela figura de Ratzinger. Todos abraçaram o Papa como se estivesse à beira da morte. Discursos inflamados sobre sua atuação e o legado que vai deixar. Citações sobre a coragem e a bravura diante da renúncia. O Papa é nosso! A instituição Igreja é nossa! Escondamos as sujeiras debaixo do tapete (que não são poucas) e proclamemos nossa fé inabalável na Santa Sé! Isso me faz lembrar uma tese que minha avó defendia com unhas e dentes. “Sei todos os defeitos do meu filho, mas ele não deixa de ser meu. E o defenderei com unhas e dentes, mesmo sabendo de seus erros e suas falhas.” Essa é a representação máxima do instinto materno. Aquele que defende a cria independente da situação. E a Igreja, assim como outras religiões, é cria do homem. Foi forjada e pensada por mentes humanas. Com o objetivo sim de alcançar Deus, mas concebida humanamente. E aí me vem o questionamento. Será que não estava na hora de pararmos de agir como mães instintivas e passáramos a agir como mães racionais e sensíveis? Não estou dizendo para abandonarmos a cria, mas para fazermos uma análise profunda sobre seu comportamento e sua atuação. A Igreja Católica, tal como está hoje (e aí coloco todas as religiões e crenças de maneira geral), passaria por esse crivo de racionalidade e sensibilidade materna? Habemus Mater?       

 

 

 

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, sexta feira 22 de fevereiro de 2013