sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

sobre cores e opções


Sobre cores e opções

 

 

Hoje fui acometido de uma dúvida atroz. Comentar ou me abster sobre a polêmica declaração da nossa nova Ministra de Direitos Humanos e afins. Sabe aquela do “menino veste azul e menina veste rosa”? Se não está ciente melhor pesquisar no youtube porque foi trend topics. A cena é no mínimo hilária. Parece aquelas provocações de criança quando ganha no pique pega e quer curtir com a outra. Tipo: “eu ganhei e você perdeu!! Ná, ná, ná, ná, ná! Você é feio e bobo!! Ná, ná, ná, ná, ná!”. Mas, independente da cena cômica, a minha dúvida em relação a escrever ou não sobre o assunto veio exatamente do que dizer. Ou não dizer. Dizer da infantilidade da declaração? Falar sobre os conceitos totalmente retrógrados? Que tal sobre a tolerância e respeito para com a diversidade? Ou sobre o Estado laico? Talvez pudesse raciocinar no sentido de coerência de discurso, afinal nada está sendo dito o contrario do que foi prometido em campanha. Ou poderia dizer dos inimigos imaginários que o governo se propõe a combater como a diversidade de gênero e o socialismo. Ou poderia tentar explicar sobre definição de socialismo e de como estamos num país capitalista selvagem. Ou mais ainda em como isso se torna uma cortina de fumaça sobre o que realmente interessa para a população brasileira. Poderia dizer que não esperava algo diferente? Ou seria pragmático demais? Será que poderia dizer que tenho camisas rosas no meu armário e sou hetero? Ou isso causaria mais desinteligência? Ou isso não tem nada de relevante? Poderia levantar a fala de que o discurso de união confronta veementemente com esse tipo de atitude revanchista? Afinal foi uma atitude revanchista ou infantil? Ou as duas? Ou néscia? Ou inteligente? Podemos voltar à cortina de fumaça? Ela encobre o que? O medo do governo de não “estar com essa bola toda” quando tentar aprovar as reformas? De dar amplitude aos latidos dos cães enquanto a caravana passa? Ou simplesmente porque estamos passando por uma fase “tentativa, erro e acerto”? Poderia dizer que a isca foi lançada e nós mordemos? Que cada enxadada será uma minhoca? Ou que teremos tempos bicudos pela frente? Poderia dizer tanta coisa ao mesmo tempo para uma simples declaração? Ou não dizer nada pela declaração irrelevante?

Ao final de toda essa algazarra de perguntas e não respostas, resolvi perguntar a minha filha de treze anos o que ela tinha achado da declaração. Talvez viesse daí uma luz. Sabe o que ela respondeu?

- Para uma Ministra de Direitos Humanos ela está errada. Todos temos o direito de usar azul ou rosa. Eu uso o que eu quiser. Até roupa transparente se quiser.

É isso. Na simplicidade a melhor resposta. Voto com a relatora.

 

 

ps. Papai não deixa sair de roupa transparente não. Foi só uma metáfora dela. Espero.

        

 

Guilherme Augusto Santana

Goiânia, 04/01/2019