sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Gil que estava certo

Alô leitores, aquele abraço!


Gil que estava certo


Voltando para casa hoje na hora do almoço, ou seja, àquela hora em que você pensa pouco e observa menos ainda, escutei um comentário de um amigo ao rádio que me chamou a atenção. O assunto que estava em pauta era o movimento de bandas do rock nacional que surgiram em Brasília na década de 80. Entre vários comentários surgiu o sentimento de saudosismo, pois alguns dos integrantes da discussão haviam vivido essa fase do surgimento das bandas de Bsb. Inclusive essa pessoa que vos escreve, que apesar de ser bem novo (reservo-me o direito de não revelar a minha idade), acompanhou o auge “contra revolucionário” de Legião Urbana, Paralamas e Capital Inicial. E realmente, quando penso nessa fase de minha vida, sinto uma saudade imensa e sempre imagino que esses fatos não voltarão a acontecer. Sinto também uma pena dessa nova geração que não viveu isso. Sinto mais pena ainda quando sei que eles viveram Britney, Justin, etc... E no meio da discussão nostálgica, surgiu uma frase célebre de Gilberto Gil que transcrevo agora: “O melhor lugar do mundo é aqui e agora. Aqui, onde indefinido, agora que é quase quando.”. Essas palavras me chamaram a atenção. Muito a atenção. Vamos nos ater a primeira parte da frase, visto que a segunda é um misto de liberdade poética com “Gilbertez”. Puxemos a análise. Quais foram os melhores anos da humanidade? Foram as décadas de 40 e 50 com seu charme quase inocente? Ou foi a de 60 com o estouro do Rock? Foi, por acaso, a de 70 com seu movimento Hippie? Ou foi a de 80, chamada de a década perdida? Discutir esse assunto talvez seja como discutir futebol. Cada um tem a sua razão. E se forçar a barra acaba em briga. Mas será que ter achado os anos 80 inesquecíveis nos impede de curtir o presente? Ou nos impede de ter desejado estar em Woodstock para um show de Hendrix? Aí entra a sabedoria do bom baiano Gil que nos mostra o contrário. O melhor lugar é onde você está e o melhor momento é o agora. Talvez, até transcendendo um pouco mais, o motivo se deva ao fato de você estar vivo. Imagina se você tivesse morrido na década de 80?!? Não estaria podendo curtir todo o desenvolver de uma geração. O fato de comemorarmos cada momento vivido é uma prova cabal de que estamos vivos. Morto é quem fica parado em um ano no passado. Quer seja porque não está realmente mais presente entre os vivos, quer seja porque deixou sua alma no passado. Além dessa análise “espiritual”, entendo que a capacidade de se atualizar é o maior desafio do mundo e do ser humano. Aquele que para no tempo, de certa forma morre. Isso não impede que eu cultive gostos de outras fases da vida, e nem tampouco impede que eu viva o momento presente com intensidade. As coisas podem ser feitas de maneira simbiótica e com isso enriquecer nossa vida. Há alguns dias atrás estava no carro com meus filhos quando começou a tocar uma regravação de “Boys don´t cry” do The Cure. Música gravada pela primeira vez em 1979 e depois regravada em 1986 pela mesma banda inglesa. Hit certo nas festinhas que estive presente quando adolescente (que não foram poucas). Minha filha imediatamente começou a cantar e eu questionei se ela sabia que aquela música era do tempo do papai. Ela disse que sabia, mas mesmo assim continuou cantando. Percebi então que aquela música já não era só do tempo do papai. Era também do tempo dela. As boas coisas da vida não têm limitação de tempo e nem de geração. Logo depois começou a tocar Beyoncé. Ela também cantou. Eu escutei. Vai ser difícil aquela música se tornar do meu tempo. Prometo me esforçar. Quem sabe ainda cumpro as palavras de Mestre Gil.      


 

Guilherme Augusto Santana
Goiânia, 18/11/11

Um comentário:

  1. Meu marido costuma dizer que se arrepende de não ter nascido antes de 85. Ele queria ter vivido aquela efeverscência cultural explodida pelos garotos da colina. Ele queria ter conhecido aquilo, ter passado por tudo aqui.

    Ele nasceu em 85, em Brasília. Mas um bebê não se lembra de nada, não é? Então ele fica se remoendo, dizendo que devia aproveitar mais, que queria que ainda hoje acontecesse coisas daquele tipo.

    Eu gostaria de ter vivido aquilo... mas juro que adoro meu agora. Ele é meu, fofo, gostoso e, o melhor, EU QUE FAÇO.

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