sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

BBB do Coveiro

amigos leitores

Mando essa crônica direto do saguão principal do shopping Flaboyant onde participo da promoção #MegaFlamboyant. Todo lugar é lugar.



BBB do Coveiro

        

Nesse momento me encontro no saguão principal do maior shopping do estado de Goiás. Não como consumidor, mas como consumido. Explico melhor para não irem por caminhos tortuosos. Estou dentro do que chamam QG virtual, que na minha época tinha a ver com espionagem, mas hoje classifica o local onde blogueiros, twitteiros e facebooqueiros transmitem seus megas virtuais. Uma ou duas mesas, várias cadeiras, umas meninas de agência desfilando (espero que minha esposa não leia), uma geladeira, sonhos de valsa, água e uma conexão wifi. Afinal não precisamos de mais nada para emitir opiniões de 140 caracteres. Um rodízio de blogueiros e o cidadão que vos fala no meio. O tema? Moda e promoção. Tudo a ver com o coveiro né não? Na faculdade de funerária tinha essa matéria: Moda 1 e 2. Tomei bomba por falta. Mas fora as brincadeiras para quebrar o gelo, o que eu queria dizer mesmo é que estou me sentindo em pleno BBB. Sendo observado. Fisicamente e virtualmente. Vocês têm idéia de quantas pessoas passam no saguão principal de um shopping dessa envergadura? Nem eu! Mas é gente para encardir. Um prato cheio para quem gosta de observar as pessoas como eu, mas aqui não está sendo o caso. Todos passam olhando e com certeza se perguntando: “o que aquele cidadão está fazendo sentado ali?”. “Será que aquele desocupado não tem trabalho não?”. “Como pode uma pessoa a toa desse jeito?”. “Ou, ele até que dá um caldo...”(espero que minha esposa não leia essa também). No final das contas é como se mil câmeras estivessem ligadas em cima de mim. Tenho que tomar cuidado com o que falo, com o jeito que sento e não posso tirar o sapato. Colocar a mão no nariz nem pensar. Aí fico pensando na sensação que as pessoas confinadas na casa do BBB têm. A princípio me parece constrangedor. Descobrem-se seus pontos fracos, seus vícios e suas manias. Aquele cacoete de roer unha parece crime hediondo. Aos poucos você vai se habituando. Aliás, essa deveria ser a grande virtude do homem. Adaptabilidade. Depois de um tempo começa a achar bom. Aquela mesma mania de roer unha é cultuada por alguns e você se sente uma pessoa importante. Sente-se um espelho em quem as pessoas podem se mirar. Quase um herói. Foda! O tempo vai passando e a coisa vai descendo a ladeira. Aquela mania horrorosa de roer unha é odiada por muitos e começam a dizer que isso não é exemplo que valha para a juventude. Como assim? E os defensores dos roedores de unha? E aí a superexposição torna-se um fardo. A primeira reação é mandar todo mundo para aquele lugar e dizer que sua família te ama assim, roendo unha. Pelo menos a mãe ama. Amor incondicional. Depois vem o choro. Stress mental. Insanidade. Suicídio ou posar na G Magazine (o que dá no mesmo).

Logicamente que os leitores entenderam que foi uma liberdade poética da minha parte. Ou como alguns preferem chamar: exagero. Mas tenho certeza que entenderam onde quis chegar. O ser humano é cheio de deficiências, assim como é cheio de qualidades, mas a superexposição tem nos mostrado que a lente de aumento sempre recai sobre as imperfeições. E muitas vezes as qualidades acabam virando defeitos horrorosos em visões deturpadas. Com certeza não é o que quero para minha vida. Eu prefiro andar no supermercado anônimo. Deixem que dos meus defeitos cuido eu.



ps. Eu não tenho o hábito de roer unha









Guilherme Augusto Santana

Goiânia, 10/02/12

3 comentários:

  1. Ah, vá! Assuma! Roer unha é tão bom!
    Roer e comer. hahaha


    =)

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    1. Muito bom gui! Mas não é a unha do pé que vc roe?? Eu tenho um pressentimento que em breve passarei por essa experiência, como vc já havia me alertado! Mas como vc mesmo diz segue o cortejo!

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  2. Cara, eu estou na profissão errada. Vou ser blogueiro. Aceitei o convite. Fui "pesquisar" in loco. Vejo você no meio do Flamboyant, no centro das atenções, todo mundo pensando "aquele cara ali é importante", ou "estilista" (tava com uma pose de... ah, deixa prá lá), rodeado de mulheres belíssimas..... Resumindo: Jacques Leclair no maior ti ti ti

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